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Estado de Minas BRUXELAS

EUA e UE suspendem tarifas para tentar encerrar disputa entre Boeing e Airbus


05/03/2021 18:06 - atualizado 05/03/2021 18:14

A União Europeia e os Estados Unidos manifestaram nesta sexta-feira vontade de estabelecer um novo começo em sua relação comercial, ao anunciarem uma pausa na longa disputa entre Airbus e Boeing, a fim de negociar uma saída para a mesma.

Washington e Bruxelas suspenderam por quatro meses a aplicação de tarifas relacionadas ao conflito entre as gigantes da aviação Airbus e Boeing, anunciaram as partes em comunicado conjunto divulgado após um telefonema entre o presidente americano, Joe Biden, e a líder da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O conflito transatlântico, em que ambos se acusam de práticas comerciais desleais, como apoio às empresas de aviação, violando acordos comerciais, estende-se desde 2004.

Segundo a declaração conjunta, a decisão "permitirá a UE e Estados Unidos aliviar a carga sobre suas indústrias e seus trabalhadores, bem como concentrar esforços em resolver essas disputas de longa data na OMC". O objetivo é "alcançar uma solução negociada, integral e duradoura para a disputa aeronáutica". Os elementos-chave de uma solução consensual, segundo a nota, devem incluir um marco sobre como apoiar o setor da aviação no futuro.

"O presidente [Joe] Biden e eu concordamos em suspender todas as nossas tarifas impostas no contexto da disputa Airbus-Boeing, tanto para produtos aeronáuticos quanto para não aeronáuticos, por um período inicial de quatro meses", anunciou Ursula após o telefonema. "É uma excelente notícia para os negócios e as indústrias dos dois lados do Atlântico, e um sinal positivo para a nossa cooperação econômica nos próximos anos", acrescentou, em nota oficial.

A Casa Branca confirmou que Biden conversou com Ursula, concordando em suspender as tarifas e "trabalhar para resolver essas disputas de longa duração na OMC". "Ele ressaltou seu apoio à União Europeia e seu compromisso de reparar e revitalizar a parceria EUA-UE", informou a Casa Branca.

- Alívio na França -

Devido ao conflito, ambos os lados reagiram com a aplicação de taxas, autorizadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Os Estados Unidos anunciaram tarifas para peças de aviões, vinho e conhaque da França e Alemanha, que se juntaram a uma longa lista de produtos da UE que receberam taxas de 25% desde 2019. Em resposta, a UE cobrou tarifas adicionais sobre produtos importados dos EUA por US$ 4 bilhões, incluindo aviões Boeing, produtos agrícolas como o trigo, assim como o tabaco, álcool e chocolate.

A Airbus comemorou a trégua tarifária: "Celebramos a decisão de suspender as tarifas para permitir que as negociações sejam realizadas", publicou a empresa, assinalando que continuará "defendendo uma solução negociada para essa disputa de longa data, a fim de evitar sobretaxas que só levam a perdedores".

O anúncio, feito um dia após um acordo semelhante entre Londres e Washington, foi recebido com alívio em Paris, uma vez que as sobretaxas americanas penalizam principalmente os viticultores franceses. "Finalmente estamos saindo da guerra comercial entre Estados Unidos e Europa, que só gera perdedores", declarou o ministro da Economia francês, Bruno Le Maire.

O ministro francês do Comércio Exterior, Franck Riester, assinalou que o acordo de suspensão de tarifas é "uma primeira etapa no processo de desescalada" comercial. "Vamos trabalhar agora, nesses quatro meses, para alcançar um acordo sobre novas regras relacionadas ao apoio do setor público para o setor aeronáutico."

Em sua conversa telefônica desta sexta-feira, Ursula Von der Leyen e Joe Biden dialogaram também sobre a pandemia de coronavírus e a produção e distribuição de vacinas contra a covid-19. "A UE e os Estados Unidos são importantes produtores de vacinas e temos um forte interesse em trabalhar juntos, para o bom funcionamento das redes de abastecimento", disse a funcionária alemã.


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