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Estado de Minas BOGOTÁ

Colômbia investiga desaparecimento de ao menos seis jovens


04/03/2021 21:59

As autoridades da Colômbia denunciaram nesta quinta-feira (4) o desaparecimento de pelo menos seis jovens, incluindo três menores de idade, enquanto viajavam da Zona Cafetera (noroeste) em direção ao Caribe (norte).

Versões da ONU e da Defensoria Pública sugerem que os jovens estariam nas mãos de um grupo armado, mas autoridades do departamento de Antioquia, onde foram vistos pela última vez em 26 de fevereiro, asseguram que não há informação que permita afirmar que eles foram capturados por uma dessas organizações.

"Ativamos o mecanismo de busca (...) para descobrir o paradeiro dos seis jovens e poder devolvê-los a suas famílias o mais breve possível", disse o secretário de Segurança de Antioquia, Jorge Ignacio Castaño.

Uma fonte policial da região indicou à AFP que três dos desaparecidos têm 15, 16 e 17 anos, e os mais velhos não passam dos 21.

Na quarta-feira, a Defensoria Pública afirmou que havia oito vítimas e culpou "grupos armados ilegais" pela suposta detenção. A ONU concorda com o número e a acusação.

A representante da alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos na Colômbia, Juliette de Rivero, urgiu os responsáveis pelo desaparecimento dos jovens a "libertá-los logo, sãos e salvos" e pediu ao Estado que tome medidas "para prevenir esses crimes".

Antioquia é um dos departamentos mais atingidos pelo surto de violência na Colômbia após a assinatura do acordo de paz em 2016 com a antiga guerrilha FARC.

Segundo a Fundação Paz e Reconciliação, especialista no conflito, atuam na área dissidentes das FARC; o Clã do Golfo, maior gangue de origem paramilitar de traficantes do país; o ELN, última guerrilha reconhecida no país, entre outros grupos que se financiam com o narcotráfico e da mineração ilegal.

Especialistas apontam que o Estado não assumiu o controle dos territórios deixados pelos rebeldes das FARC, o que facilitou a consolidação de novas organizações que disputam o negócio da cocaína.

Embora o acordo de paz tenha atenuado a violência política, a Colômbia vive há quase seis décadas um conflito no qual se enfrentam guerrilheiros, paramilitares, agentes do Estado e narcotraficantes, deixando mais de nove milhões de vítimas, a maioria delas desalojadas.

Segundo a organização governamental Unidade de Busca de Desaparecidos, a guerra causou cerca de 120 mil desaparecimentos, quase quatro vezes mais que as ditaduras da Argentina, Brasil e Chile no século XX.

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