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Estado de Minas ADIS ABEBA

Quatros jornalistas e tradutores são soltos na região etíope do Tigré


03/03/2021 10:11 - atualizado 03/03/2021 10:13

Dois tradutores etíopes que colaboram com a Agence France-Presse (AFP) e com o jornal Financial Times, um jornalista da BBC e um repórter local foram libertados nesta quarta-feira (3), após vários dias na região do Tigré (norte) - disse o tradutor Fitsum Berhane por telefone à AFP.

"Eles nos deixaram ir hoje. Não disseram o por quê. Mas explicaram que haviam decidido nos libertar", relatou Fitsum Berhane a um jornalista da AFP em Addis Abeba.

Fitsum Berhane e Alula Akalu, tradutores que trabalham para o Financial Times, foram presos no sábado, depois de três dias de reportagem sobre o conflito no Tigré, onde o exército federal derrubou as autoridades regionais em uma grande operação militar em novembro.

Os outros dois detidos eram o jornalista da BBC Girmay Gebru e Temrat Yemane, um jornalista local.

As autoridades não explicaram os motivos da detenção e, até o momento, não responderam a perguntas da imprensa.

Tanto a AFP quanto o Financial Times obtiveram permissão da Autoridade de Radiodifusão Etíope e do Ministério da Paz para trabalhar na região do Tigré, onde o acesso dos veículos de comunicação foi restringido desde o início das hostilidades em novembro.

Fitsum Berhane descreveu à AFP como os soldados entraram em sua casa em Mekele, capital de Tigré, na sexta-feira passada, e o acusaram de apoiar a Frente de Libertação Popular do Tigré (TPLF, na sigla em inglês), que governou a região até novembro.

"Disseram que sou membro da TPLF e estive ajudando o partido desde o início da guerra, dando-lhes informações", explicou.

"Mas neguei tudo, porque não sei do que estão falando", completou.

Um policial com trajes civis que acompanhava os soldados ameaçou Fitsum com uma pistola na cabeça, enquanto os militares revistavam sua casa

Os militares levaram seus telefones, um computador e 3.800 birr etíopes (78 euros, 94 dólares). Após a libertação, eles devolveram apenas o dinheiro.

Após sua detenção, durante o trajeto para o colégio militar de Mekele, os soldados o fizeram descer do veículo e o ameaçaram de morte.

Ele permaneceu três noites em uma cela do colégio militar, duas delas algemado.

Na terça-feira, os quatro homens foram levados para a prisão de Mekele, de onde foram liberados um dia depois.

No dia da detenção, Fitsum havia acompanhado uma equipe da AFP a Dengolat, uma localidade de Tigré, onde os sobreviventes denunciaram um massacre em novembro.

Alguns soldados o chamaram de traidor. "Disseram que eu estava traindo meu país por um pouco de dinheiro. Eu disse que estava apenas traduzindo. Não falsifiquei nada. Falei que estava tudo gravado e que poderiam verificar".


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