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Estado de Minas YANGON

Violência aumenta em Yangon e Facebook fecha contas vinculadas ao Exército de Mianmar


25/02/2021 08:57

Militantes favoráveis à Junta militar, armados com facas e cassetetes, enfrentaram nesta quinta-feira (25) moradores de Yangon, em um aumento súbito da tensão, ao mesmo tempo que o Facebook anunciou o fechamento de todas as contas vinculadas ao Exército de Mianmar.

A revolta da população contra os generais que executaram o golpe de Estado de 1º de fevereiro é grande no país. Centenas de milhares de cidadãos protestam quase diariamente nas ruas para exigir a libertação de Aung San Suu Kyi, ex-chefe de fato do governo civil, e a restauração da democracia.

Nesta quinta-feira, centenas de partidários dos militares saíram às ruas no centro da maior cidade do país e exibiram faixas com frases como "Apoiamos nossas forças de defesa".

As autoridades permitiram o acesso ao emblemático pagode Sule, local importante que nos últimos dias permaneceu isolado por barricadas para impedir a aproximação dos manifestantes pró-democracia.

Os moradores da área começaram a bater panelas, uma ação que virou o símbolo de resistência ao golpe de Estado, para protestar contra a manifestação pró-militar.

Ao meio-dia foram registrados confrontos nas proximidades da estação central de trens de Yangon.

Partidários do Exército - alguns armados com facas, cassetetes e estilingues - atacaram os moradores que vaiavam a manifestação.

"Nos apontaram com estilingues a partir de um automóvel (...) várias pessoas foram feridas na cabeça", contou à AFP Aung Zin Lin, de 38 anos, que mora na região.

- "Brutos" -

Superando em número os defensores da Junta militar, os moradores responderam e conseguiram deter alguns deles, que estavam com cassetetes, navalhas e estilingues, disse a moradora.

Quando a Polícia chegou ao local, mulheres e crianças deram as mãos e formaram um escudo humano, para evitar que as forças de segurança tentassem deter moradores do bairro.

Após um momento de tensão, a Polícia expulsou os agressores.

"Eles (os partidários do Exército) têm o direito de protestar, mas não deveriam ter usado armas", declarou à AFP Zaw Oo, que foi ferido nas costelas. "São uns brutos", completou.

Imagens gravadas por câmeras de segurança, divulgadas nas redes sociais, mostram um homem armado com uma faca perseguindo outros habitantes pelo centro da cidade.

Durante a manifestação favorável aos militares, alguns moradores exibiram cédulas, acusando os simpatizantes da Junta de receber dinheiro do Exército para organizar o protesto.

Em outro ponto da cidade, no campus da Universidade de Yangon, estudantes organizaram uma manifestação pacífica e exibiram bandeiras da Liga Nacional para a Democracia, o partido de Aung San Suu Kyi.

Suu Kyi, de 75 anos e vencedora do Nobel da Paz, que está em prisão domiciliar desde o golpe, foi acusada de importar 'walkie talkies' ilegalmente e de ter violado as restrições pelo coronavírus. Uma audiência foi programada para o dia 1º de março.

Ao mesmo tempo, o Facebook anunciou nesta quinta-feira que fechou todas as contas que ainda estavam abertas e eram vinculadas ao Exército de Mianmar, ao citar o uso por parte da Junta militar de "violência letal" contra os manifestantes pró-democracia.

- Banco Mundial suspende ajudas -

"Os eventos desde o golpe de Estado de 1º de fevereiro, incluindo a violência letal, precipitaram a necessidade desta proibição", afirma o Facebook em um comunicado.

As páginas das instituições governamentais, controladas pela Junta, não foram afetadas.

"Esta proibição não inclui os ministérios nem as agências do governo, responsáveis por serviços públicos essenciais", explicou a plataforma.

Desde o início do mês, a polícia utiliza gás lacrimogêneo, jatos d'água e balas de borracha contra os manifestantes. Também foram registrados tiros com munição letal.

O número de mortes desde o golpe de Estado subiu para cinco na quarta-feira, após o falecimento de um homem de 20 anos que não resistiu aos ferimentos sofridos em Mandalay (centro). O Exército afirma que um policial morreu nos protestos.

Também nesta quinta-feira, o Banco Mundial anunciou a suspensão das ajudas a Mianmar, que em 2020 alcançaram 900 milhões de dólares.

"O Banco também pode pedir o reembolso dos fundos que considera que não são necessários para a realização de projetos", advertiu Mariam Sherman, diretora do Banco Mundial para Mianmar.


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