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Estado de Minas YANGON

Milhares voltam a protestar em Mianmar, apesar de ameaça da junta militar


22/02/2021 16:22 - atualizado 22/02/2021 16:26

Centenas de milhares de pessoas saíram às ruas em várias cidades de Mianmar nesta segunda-feira (22) para denunciar, mais uma vez, o golpe de Estado, desafiando a junta militar, que advertiu que os participantes nos protestos correm o risco de morte.

Três semanas depois do golpe de 1º de fevereiro, a mobilização pró-democracia prossegue, com protestos diários e uma campanha de desobediência civil que afeta o funcionamento do Estado e da economia.

A preocupação em nível internacional continua aumentando e o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou nesta segunda-feira a "força bruta" e pediu ao exército birmanês que "detenha imediatamente a repressão".

A União Europeia decidiu impor sanções à junta, anunciou em Bruxelas o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell. "Os ministros das Relações Exteriores da UE decidiram sanções focalizadas contra os interesses econômicos e financeiros dos militares porque nesse país são empresários e donos de partes da economia", disse Borrell.

O fim de semana foi marcado pela morte de três manifestantes e o falecimento, na sexta-feira, de uma jovem que havia sido atingida por um tiro em uma passeata.

Além disso, no domingo à noite, as autoridades advertiram que "os manifestantes estão incitando as pessoas, sobretudo os adolescentes e jovens exaltados, a seguirem o caminho do confronto no qual morrerão", segundo um comunicado em birmanês lido no canal de televisão estatal MRTV, com legendas em inglês.

"Um lembrete para a junta: diferentemente de 1988, as atuações das forças de segurança são gravadas e vocês terão que prestar contas", reagiu no Twitter o encarregado especial da ONU para os direitos humanos em Miamnar, Tom Andrews.

- "Raiva" -

A advertência do poder, no entanto, não intimidou os manifestantes, que voltaram a se concentrar às centenas de milhares nesta segunda nas ruas de Yangon, a capital econômica.

Em Bahan, um dos bairros da cidade, os manifestantes sentaram no chão e exibiram bandeiras de apoio à chefe de Governo civil deposta, Aung San Suu Kyi, que está detida desde 1º de fevereiro em um local não divulgado.

"Estamos aqui para participar na manifestação, para lutar até a vitória", declarou Kyaw Kyaw, estudante de 23 anos. "Estamos preocupados com a repressão, mas vamos continuar. Temos muita raiva".

Os moradores de Yangon constataram o envio de reforço das forças de segurança, que deslocaram caminhões da polícia e do exército nas ruas, enquanto as ruas vizinhas ao bairro foram isoladas pelas forças de ordem.

"O exército tomou o poder injustamente do governo civil eleito", afirmou um manifestante de 29 anos, que pediu anonimato. "Lutaremos até obter nossa liberdade, democracia e justiça".

Muitos mercados e estabelecimentos comerciais permaneceram fechados em solidariedade ao movimento pró-democracia.

Também foram registradas manifestações na capital, Naypyidaw, e nas cidades de Myitkyina (norte) e Dawei (sul).

- Condenação internacional e sanções -

No domingo, os birmaneses prestaram homenagem à primeira vítima fatal da repressão, uma jovem que se tornou ícone da resistência contra a junta militar.

O funeral de Mya Thwate Thwate Khaing, atingida por um tiro na cabeça e que faleceu após 10 dias de internação na UTI, aconteceu na periferia de Naypyidaw e reuniu milhares de pessoas.

No sábado morreram duas pessoas em Mandalay e uma terceira em Yangon, vítimas da repressão policial.

De acordo com a associação de ajuda aos presos políticos, 684 pessoas foram detidas desde o golpe.

As autoridades militares voltaram a cortar o acesso à internet na madrugada de segunda-feira, pela oitava noite consecutiva, segundo o NetBlocks, observatório especializado com sede no Reino Unido.

O ministério birmanês das Relações Exteriores classificou de "interferência flagrante" nas questões internas do país as críticas da comunidade internacional.


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