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Estado de Minas MADRI

Espanha celebra 40 anos de golpe fracassado que impulsionou a democracia e transformou o Exército


19/02/2021 09:51

A Espanha comemora em 23 de fevereiro os 40 anos de um golpe de Estado militar, cujo fracasso abriu o caminho para a democracia e ofuscou as esperanças dos nostálgicos franquistas.

Por memórias diretas ou herdadas, os espanhóis mantêm viva a imagem do tenente coronel da Guarda Civil Antonio Tejero com uma arma na mão atacando o Congresso dos Deputados, na fria tarde de 23 de fevereiro de 1981.

O golpe foi promovido por militares ultramontanos decididos a frustrar o rumo democrático que a Espanha tomava, após a longa ditadura franquista (1939-1975).

O Congresso realizará na terça-feira uma cerimônia com o rei Felipe VI, cujo pai Juan Carlos I, que abdicou em 2014, teve um papel decisivo para frear a tentativa de golpe.

A vitória do rumo democrático iniciou uma nova era em que as forças armadas abandonaram definitivamente o intervencionismo e se abriram para novas funções, como as missões internacionais de paz e a proteção civil.

"Passamos de um conceito de instituições que ostentavam o poder para um conceito de instituições que estavam ali para prestar um serviço público, o da segurança e da defesa", conta à AFP o almirante Manuel Garat Caramé, integrante do exército desde 1975, ano da morte do ditador Francisco Franco.

No entanto, como foi possível modernizar um exército acostumado a servir uma ditadura e a desfrutar de privilégios políticos?

- Entrada na Otan -

Em primeiro lugar, os líderes da época optaram por promover perfis mais próximos aos novos princípios democráticos.

"Foi feito o que era possível. Não foi uma ruptura", porque isso exigiria eliminar "90% dos chefes militares", lembra Abel Hernández, jornalista e cronista renomado da transição.

O grande vetor modernizador, a nível operacional e de cultura militar, foi a entrada na Otan em 1982, para um exército que desde então participa em múltiplas missões de paz sob a proteção da Aliança Atlântica, da ONU e da UE.

Outros fatores foram a total profissionalização - com o serviço militar obrigatório nos anos 90 -, e a nomeação em 2008 de uma primeira-ministra da Defesa, a socialista Carme Chacón, vinte anos depois da entrada das mulheres nas Forças Armadas.

Uma ministra que "produziu uma importante feminização em todos os escalões do exército", destaca o analista Diego Crescente, apesar da evolução ter sido menor nos últimos 15 anos e hoje elas representarem apenas 12,8% do total de efetivos, segundo estatísticas oficiais.

Essa longa transformação foi iniciada sob uma pressão muito forte da organização separatista armada basca ETA, que nos anos da transição para a democracia assassinou dezenas de militares.

Paralelamente à sua presença internacional, o exército espanhol ganhou mais visibilidade em seu próprio território graças também às tarefas de emergência.


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