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Estado de Minas MÉXICO

Presidente do México acusa DEA de 'fabricar' crimes contra ex-ministro


15/01/2021 22:01 - atualizado 15/01/2021 22:07

O presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador acusou, nesta sexta-feira (15), a DEA de fabricar crimes contra o ex-ministro da Defesa Salvador Cienfuegos, preso nos Estados Unidos por suposto narcotráfico e devolvido ao México para um eventual julgamento.

López Obrador defendeu que seu governo "apoia, endossa, respalda" a decisão da Procuradoria, que após uma reforma legal agora é independente do Executivo.

"Ontem a Procuradoria-Geral (mexicana) resolveu que não procede a acusação fabricada contra o general Cienfuegos pela agência americana encarregada pelo combate às drogas, a DEA", disse o presidente em coletiva de imprensa.

Cienfuegos, general da reserva que foi ministro da Defesa na presidência de Enrique Peña Nieto (2012-2018), foi detido em 15 de outubro em Los Angeles e repatriado em 18 de novembro após um acordo entre ambos os países.

A DEA entregou à Procuradoria-Geral mexicana as provas para que investigasse Cienfuegos, que enfrentou este processo em liberdade.

López Obrador alegou que "a corrupção tem que acabar, mas não pode haver represálias, vinganças, e não se pode inventar crimes, ninguém deve ser tratado dessa maneira".

- "Nunca" contatou criminosos -

A Procuradoria afirmou na quinta-feira que Cienfuegos, de 72 anos, "nunca teve encontro algum com os integrantes da organização criminosa investigada" pelos Estados Unidos.

"Tampouco estabeleceu comunicação alguma com elas, ou realizou atos para proteger ou ajudar esses indivíduos", disse em um comunicado, referindo-se às acusações da DEA.

Cienfuegos foi acusado de supostamente proteger o "H-2", um suposto grupo criminoso do qual não havia referências públicas no México e que teria surgido das cinzas do cartel de Beltrán Leyva, em declínio desde 2010 devido à captura e morte de seus líderes.

O governo mexicano publicou nesta sexta-feira o expediente da DEA, enviado à chancelaria em 29 de outubro passado, após o protesto de López Obrador por não ter sido informado sobre a investigação.

Cienfuegos "nunca foi o objetivo central de uma investigação da DEA", mas as acusações contra ele foram derivadas de "investigações independentes de grande relevância", diz a carta que acompanha o expediente, assinada pelo administrador interino do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Timothy J. Sheaen.

A DEA não interveio nas comunicações de Cienfuegos, mas sim nas de outros supostos delinquentes nas quais se falava "sobre uma pessoa, que foi identificada mais adiante como o então secretário da Defesa Nacional", acrescentou Sheaen.

Em transcrições de mensagens de textos interceptadas pela DEA, apresentadas como "provas-chave", leem-se diálogos entre alguém que diz que se dirige à secretaria da Defesa e outra pessoa que lhe sugere tratar com afeto es respeito a pessoa que estaria neste local.

- Investigação no México -

Após o repatriamento, o chanceler mexicano Marcelo Ebrard disse que este caso não ficaria impune e que "seria quase suicida" não investigar o ex-ministro.

Nesta sexta-feira, Ebrard disse que a Procuradoria mexicana convocou Cienfuegos a comparecer e, após confrontar "os elementos fornecidos pelo promotor americano" com os quais apresentou a defesa, concluiu-se que "não há elementos para fundamentar o caso contra o general".

López Obrador questionou que Cienfuegos tenha sido detido dias antes das eleições presidenciais nos Estados Unidos.

"Já o general Cienfuegos (...) esteve nos Estados Unidos em março, de visita com sua família (...). Tudo isso precisa ser esclarecido", apontou.

Javier Oliva, especialista em assuntos militares da Universidade Nacional do Estado (UNAM), criticou o processo empreendido pela DEA desde a captura do general e considerou que foi comprovado que não havia provas contra o ex-ministro.

"Tem a ver com o processo de mudança de governo nos Estados Unidos e rivalidades entre agências americanas. O México é visto como uma espécie de mudança para dar lugar a essas rivalidades", disse o especialista à AFP.

Em contrapartida, Francisco Rivas, diretor do Observatório Nacional do Cidadão, destacou que, se as provas da DEA parecerem "insuficientes" para a Procuradoria, ela deve realizar uma investigação aprofundada no México para corroborar.

"Isso não significa que Cienfuegos seja culpado, mas que a Procuradoria o comprove com sua própria investigação, o que aparentemente não aconteceu", sentenciou Rivas.

A decisão da Procuradoria coincidiu com a publicação de uma reforma, votada após a prisão de Cienfuegos, que regula a atuação de agentes estrangeiros no México.

A reforma estabelece mecanismos de troca de informação e obriga funcionários locais a entregar relatórios sobre contatos com agentes estrangeiros.


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