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Estado de Minas

ONU considera que os rohingyas não devem ser obrigados a partir da ilha de Bangladesh


04/12/2020 18:49

Os refugiados rohingya de Bangladesh "devem ter permissão para ficar nos campos de Cox's Bazar" se não quiserem ser transferidos para a ilha de Bhasan Char, disse o porta-voz da ONU nesta sexta-feira (4) sobre este projeto de transferência altamente criticado pelas ONGs.

A ilha de Bhasan Char é uma formação sedimentar localizada na Baía de Bengala regularmente atingida por ciclones e sujeita a inundações.

"Recebemos informações dos campos de que alguns refugiados podem se sentir pressionados a ir para a ilha de Bhasan Char ou que mudaram sua ideia inicial e não querem mais partir", afirmou Stéphane Dujarric durante sua entrevista coletiva regular.

"Se este for o caso, eles deveriam ter permissão para ficar nos campos de Cox's Bazar", acrescentou o porta-voz do secretário-geral da ONU, citando "imagens perturbadoras de certos refugiados em perigo" durante sua jornada para a ilha.

Dujarric também indicou que foram iniciadas conversações com Bangladesh sobre este tema.

Depois de especificar que a ONU não esteve envolvida até agora no processo de transferência, exigiu "extensas avaliações técnicas e de proteção para avaliar a segurança e as condições de vida na ilha de Bhasan Char antes de qualquer transferência".

"Todo movimento de refugiados deve ser feito de forma voluntária, com segurança e dignidade", ressaltou Dujarric.

Mais de 1.640 rohingya, transferidos pelas autoridades de Bangladesh, chegaram nesta sexta-feira à ilha de Bhasan Char, uma área considerada perigosa por organizações de direitos humanos, como parte da primeira fase deste polêmico projeto de transferência de 100.000 refugiados.

Cerca de 750.000 refugiados muçulmanos rohingya, uma minoria perseguida na Birmânia, fugiram da limpeza étnica no oeste da Birmânia, em 2017, pelo exército e milícias budistas.

Aqueles que chegaram se juntaram aos mais de 200.000 rohingya que já eram refugiados em Bangladesh de ondas de violência anteriores.

O fluxo massivo levou à criação de acampamentos em condições de extrema pobreza, agravada pela pandemia do novo coronavírus, e onde se desenvolveu o tráfico de drogas.


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