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Estado de Minas

Etiópia dá à ONU acesso humanitário ilimitado à região de Tigré


02/12/2020 13:55

O governo etíope deu à ONU acesso humanitário "sem restrições" à região do Tigré, após quatro semanas de conflito armado e vários pedidos para que fosse possível entregar ajuda - conforme um documento, ao qual a AFP teve acesso nesta quarta-feira (2).

Este texto, um acordo assinado entre a ONU e o ministro etíope da Paz, autoriza um acesso "sem restrições, contínuo e seguro de pessoal e serviços humanitários à população vulnerável nas regiões administradas pelo governo em Tigré" e nas regiões vizinhas de Amhara e Afar.

Um alto funcionário da ONU, que pediu para não ser identificado, disse hoje à AFP que este acordo permitirá que as Nações Unidas e as organizações humanitárias levem ajuda "aonde as pessoas precisam".

As primeiras avaliações de necessidades no local começarão "assim que nossas equipes de segurança autorizarem", acrescentou.

Há semanas, a ONU alerta para uma possível catástrofe humanitária na região dissidente, isolada do mundo desde o início do conflito.

Estas quatro semanas de combates, desde que o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, enviou as Forças Armadas federais para a região do Tigré em 4 de novembro, causaram a fuga de 45.000 pessoas para o vizinho Sudão e um número indeterminado de deslocados no interior da região.

Antes disso, cerca de 600.000 pessoas, incluindo 96.000 refugiados eritreus alojados em quatro campos, já sobreviviam totalmente dependentes da ajuda humanitária em Tigré para comer, e outro milhão se beneficiava de uma "rede de segurança alimentar", de acordo com o Escritório da ONU para a Coordenação Humanitária (OCHA).

A ONU havia solicitado na terça-feira "acesso urgente" a Tigré, região que "precisa desesperadamente" de ajuda humanitária.

A Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) expressou preocupação com os campos de refugiados da Eritreia em Tigré, onde provavelmente agora há "falta" de alimentos.

Além de cerca de 45.500 pessoas que fugiram para o vizinho Sudão, as quatro semanas de combate deslocaram um número desconhecido de homens, mulheres e crianças dentro de Tigré, que "precisam desesperadamente de ajuda humanitária", disse terça-feira a Organização Internacional para as Migrações (OIM), um órgão da ONU.

No principal hospital de Mekele (capital de Tigré) - sobrecarregado com a chegada de feridos dos combates - remédios básicos e suprimentos médicos estão em um nível "perigosamente escasso", destacou o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) nos últimos dias, sem especificar se os feridos eram civis ou militares.

Não há um balanço preciso dos combates e, especialmente, das vítimas civis.


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