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Estado de Minas

Fed prevê meses "difíceis" para economia americana por surto de covid-19


30/11/2020 22:49

Os Estados Unidos caminham para meses "difíceis" no plano econômico devido ao ressurgimento da pandemia covid-19, enquanto o impacto potencial de uma vacina permanece incerto, alertou o presidente do Banco Central americano (Fed).

"O aumento de casos de covid-19, aqui e no exterior, é preocupante e pode ter consequências difíceis nos próximos meses", afirmou Jerome Powell em um discurso preparado para sua audiência no Senado na terça-feira e publicado nesta segunda.

As notícias recentes na área de vacinas são "muito positivas a médio prazo", mas "ainda há desafios e incertezas significativas, incluindo o momento, a produção e a distribuição" de uma ou mais vacinas, observou Powell.

Ainda segundo o presidente do Fed, é difícil avaliar a magnitude do impacto econômico com "qualquer grau de confiança".

O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, que irá ao Senado junto com o chefe do Fed, defendeu as medidas do governo que reforçam o crescimento histórico registrado no terceiro trimestre.

"Os americanos estão voltando ao trabalho", disse Mnuchin. "O relatório de empregos de outubro mostra que a economia recuperou 12,1 milhões de empregos em comparação com todos os empregos perdidos devido à pandemia".

O setor privado de serviços, que reúne as indústrias mais afetadas pelas medidas de contenção do coronavírus, recuperou 58% dos empregos perdidos.

O secretário do Tesouro de Donald Tump, que deixará o cargo em janeiro e será substituído por Janet Yellen, ex-presidente do Fed, disse que o gigantesco plano de ajuda adotado no final de março, no valor de cerca de 2,2 trilhões de dólares, permitiu amenizar o impacto da pandemia.

Mnuchin ressaltou, no entanto, que o ressurgimento do vírus, que foi acompanhado por novas e drásticas medidas, contraria o "progresso notável" registrado no terceiro trimestre e "afetou seriamente as empresas e trabalhadores norte-americanos".

As negociações no Congresso para chegar a um plano de relançamento da economia estagnaram há meses.

Embora os líderes republicanos e democratas do Senado, Mitch McConnell e Chuck Schumer, tenham pedido nesta segunda-feira mais ações antes do final do ano, eles também se culparam pela falta de acordo.

- Pacote de ajudas "específicas" -

Mnuchin, por sua vez, incentivou o Congresso a usar os 455 bilhões de dólares em fundos de ajuda emergencial não utilizados para impulsionar uma nova rodada de medidas de assistência econômica direcionadas para moradias e empresas.

"Com base em dados econômicos recentes, continuo a acreditar que um pacote de orçamento específico é a resposta federal mais apropriada", garantiu o secretário do Tesouro em comentários preparados para a audiência perante o Comitê Bancário do Senado.

As audiências ocorrerão após o Fed anunciar na segunda-feira a prorrogação por três meses, até 31 de março de 2021, das linhas de crédito empresarial lançadas em março para amenizar as consequências econômicas causadas pela pandemia.

A poderosa instituição especificou que esta decisão recebeu a aprovação do Tesouro, que, no entanto, havia indicado na semana passada que esses programas de emergência deveriam terminar como planejado em 31 de dezembro, apesar dos protestos do Fed.

O governo Trump pediu ao Fed que devolvesse os 455 bilhões de dólares em fundos não gastos de acordo com esses programas, decisão fortemente criticada por economistas e políticos.

Apoiadores do presidente eleito Joe Biden viram esse pedido como uma forma de prejudicar o governo que tomará posse em 20 de janeiro.

O Fed, que também saiu do silêncio criticando publicamente o Tesouro, avaliou nesta segunda-feira que essas linhas de crédito são "fundamentais para o financiamento dos mercados de curto prazo" e garantem "o fluxo de crédito de que a economia atualmente precisa".

Embora o Fed não possa fazer empréstimos diretamente para residências e empresas, ele pode invocar poderes de emergência para facilitar os empréstimos e estimular novos créditos.


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