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Estado de Minas

Irã estuda resposta ao assassinato de cientista


29/11/2020 11:55

O Irã examinava neste domingo como responder ao assassinato, que atribui a Israel, de um proeminente cientista nuclear do país, que as autoridades homenagearam em uma cerimônia especial, antes do enterro na segunda-feira.

No Parlamento, os deputados assinaram um texto que pede vingança à morte do cientista e a aprovação de uma lei com a qual o Irã impediria a inspeção de suas instalações nucleares pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Mohsen Fakhrizadeh foi assassinado na sexta-feira em um ataque com carro-bomba seguido por um tiroteio contra seu veículo, segundo o ministério da Defesa iraniano, que apresentou a vítima como o diretor de seu Departamento de Pesquisa e Inovação, responsável pela "defesa antiatômica", entre outras questões.

Israel o considerava o diretor de um programa nuclear militar secreto cuja existência sempre foi negada por Teerã.

Depois de uma cerimônia especial em dois dos principais locais sagrados xiitas do Irã (em Mashhad, no nordeste do país, e em Qom, na região central), o corpo de Fakhrizadeh deve ser transportado até o mausoléu do Imã Khomeini em Teerã para uma nova homenagem.

De acordo com a televisão estatal, o funeral está previsto para segunda-feira em Qom.

O governo do Irã acusou Israel de estar por trás da morte de Fakhrizadeh.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, disse que Israel busca semear o "caos" e prometeu uma resposta "no devido tempo".

Mas também advertiu que o Irã não cairia na "armadilha" preparada por Israel.

Desde o anúncio da vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais americanas, Rohani multiplicou os sinais de abertura que mostram sua vontade de salvar o que for possível do acordo nuclear.

Este pacto internacional oferece a Teerã uma flexibilização das sanções internacionais em troca de garantias, verificadas pela AIEA, que certifiquem o caráter exclusivamente pacífico de seu programa nuclear.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inimigo do Irã, retirou seu país de maneira unilateral do acordo em 2018, três anos depois da conclusão do pacto em Viena, contra o qual o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, continuou lutando.

- "Dissuasão e vingança" -

As sanções impostas por Washington levaram a economia iraniana a uma dura recessão e o país suspendeu o cumprimento da maioria de seus compromissos, mas não o acesso aos inspetores da AIEA

Biden afirmou que deseja o retorno dos Estados Unidos ao acordo de Viena. Mas terá pouco tempo entre sua posse (20 de janeiro) e as eleições presidenciais iranianas (18 de junho).

Os conservadores são favoritos nas eleições após sua grande vitória nas legislativas de fevereiro, derrotando a aliança de moderados e reformistas que apoiam Rohani.

O presidente do Parlamento, Mohammad-Bagher Ghalibaf, pediu neste domingo "uma forte reação" que assegure "dissuasão e vingança".

Um comunicado assinado por todos os deputados afirma que "melhor resposta" aos atos de "terrorismo e sabotagem" de Israel, Estados Unidos e seus aliados é "reviver a gloriosa indústria nuclear do Irã", parando de aplicar o protocolo adicional da AIEA.

Com base o acordo de Viena, Teerã aceitou cumprir os requisitos do documento, que prevê o acesso ilimitado dos inspetores da AIEA a suas instalações nucleares, inclusive antes da ratificação pelo Parlamento.


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