Publicidade

Estado de Minas

São Paulo e Rio elegem seus prefeitos em um país combalido pela pandemia


29/11/2020 07:55

Os brasileiros começaram a votar neste domingo (29) para escolher os prefeitos de 57 municípios, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro, no segundo turno de uma eleição marcada pela crise econômica e a volta do crescimento do novo coronavírus.

Os locais de votação abriram as portas às 7H00 e fecharão às 17H00, em uma eleição que acontece sob rígidas medidas de saúde devido ao coronavírus, como o uso de máscara, um horário preferencial para idosos e o respeito ao distanciamento.

O primeiro turno, há duas semanas, registrou um avanço dos tradicionais partidos de centro e centro-direita, enquanto apenas dois dos treze candidatos apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro, da extrema-direita, foram eleitos e outros dois seguem na disputa.

Houve também deslocamentos dentro do eleitorado de esquerda, em detrimento do Partido dos Trabalhadores (PT) do ex-presidente Lula, que foi derrotado em dezenas de municípios.

Em São Paulo, Guilherme Boulos, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), ficou em segundo e disputa o cargo com o atual prefeito, o centrista Bruno Covas, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), soube expandir seu eleitorado, principalmente entre a juventude, com bom uso das redes sociais e defendendo causas como a igualdade racial ou de gênero.

No primeiro turno, Boulos obteve 20% dos votos, contra 32% de Covas, que desde o ano passado trata de um câncer no aparelho digestivo que afetou também seu fígado e linfonodos.

Covas, de 40 anos, é o favorito. A pesquisa do Datafolha de sábado atribui a ele 55% das intenções de voto contra 45% para Boulos.

A reta final da campanha foi marcada pelo anúncio, na sexta-feira, de que Boulos, de 38 anos, havia contraído a covid-19, o que o obrigou a cancelar o último debate na TV.

- Disputa em 18 capitais -

No Rio de Janeiro, cidade de 6,7 milhões de habitantes, o pleito parece decidido a favor do ex-prefeito Eduardo Paes, do Democratas (DEM), que tem 68% das intenções de voto, contra 32% do atual prefeito, Marcelo Crivella (Republicanos), um pastor evangélico licenciado, aliado de Bolsonaro.

Em 15 de novembro, 147,9 milhões de eleitores foram convocados às urnas para escolher prefeitos e vereadores de 5.569 municípios. Agora, 38 milhões vão definir as disputas em 57 cidades, 18 delas capitais dos 26 estados do país de 211,8 milhões de habitantes.

As eleições foram celebradas com seis semanas de atraso, devido à pandemia de covid-19, que já deixou 6,2 milhões de casos e 172 mil mortos, um balanço de mortes superado apenas pelos Estados Unidos.

A média de óbitos, que havia superado os mil por dia entre julho e agosto, caiu para menos de 350 na segunda semana de novembro, e voltou a subir para cerca de 500 atualmente.

A doença e as medidas de confinamento, determinadas para contê-la, afundaram a economia, levando o desemprego a um nível recorde de 14,6%, com 14,1 milhões de pessoas em busca de emprego - 1,6 milhão a mais do que há um ano.

- Mensagem para 2022 -

Uma derrota de Crivella e a definição em São Paulo entre dois homens críticos de seu governo deixariam Bolsonaro sem aliados nas capitais turística e econômica do país.

A mensagem das urnas parece ser que "o Bolsonaro não é o fenômeno que as pessoas pensavam que era e se essa leitura inicial estiver certa, ele vai ter muita dificuldade de se reeleger" em 2022, afirmou o analista político Michael Mohallem, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Os resultados das eleições municipais são vistos como possíveis marcadores de tendências para as próximas eleições gerais, daqui a dois anos.

Além da expectativa criada por Boulos em São Paulo, a esquerda viverá no domingo outros embates importantes, inclusive um duelo dentro da mesma família.

Em Recife, dois netos do histórico político pernambucano Miguel Arraes (1916-2005) se enfrentam: João Campos (filho do ex-candidato à Presidência Eduardo Campos, morto durante a campanha para as eleições de 2014), do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e Marília Arraes, do PT.

Manuela D'Ávila, do Partido Comunista Brasileiro (PCdoB), disputa com Sebastião Melo, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB, centro-direita), a prefeitura de Porto Alegre, cidade que se tornou palco recente de protestos após um homem negro ser morto por dois seguranças em um supermercado da rede Carrefour.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade