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Estado de Minas

Países buscam tranquilizar população sobre efeitos colaterais de vacinas contra Covid-19


25/11/2020 18:25

A aprovação das autoridades de saúde se aproxima, as doses estão sendo produzidas, e governos, laboratórios e especialistas prometem ser transparentes sobre a inocuidade das vacinas contra a Covid-19, desenvolvidas a uma velocidade tão alta que gera preocupações relacionadas à sua segurança.

Uma estatística será primordial em seu trabalho de persuasão: historicamente, quase todos os efeitos colaterais de vacinas aparecem nas seis semanas posteriores à aplicação das mesmas. Os participantes dos testes clínicos dos laboratórios Pfizer/BioNTech e Moderna, cujas vacinas poderiam ser autorizadas em dezembro nos Estados Unidos e na Europa, tiveram um acompanhamento de dois meses, a pedido da agência americana de medicamentos, FDA.

"Existe uma diferença entre rápido e muito rápido", assinalou à AFP Saad Omer, diretor do instituto de saúde global da Universidade de Yale. Dois meses bastarão para detectar "a imensa maioria" dos efeitos colaterais.

A FDA costuma exigir seis meses de acompanhamento, mas, caso nada grave ocorra nos dois primeiros meses, é improvável que os quatro meses adicionais revelem algo mais. A emergência transforma o cálculo entre riscos e benefícios.

"A esta altura da pandemia, talvez não precisemos de dados perfeitos, embora os queiramos", declarou Grace Lee, membro do comitê consultivo sobre as vacinas dos Centros americanos para o Controle e Prevenção de Enfermidades (CDC). "Quanto tempo você quer esperar para ter informações levemente melhores, versus deixar a pandemia continuar."

Os testes atuais têm uma vantagem tranquilizadora, que é a sua magnitude: 44 mil participantes nos da Pfizer e 30 mil nos da Moderna. Neste momento, metade dos voluntários tiveram um acompanhamento de, pelo menos, dois meses. A FDA terá, portanto, dados de segurança sobre dezenas de milhares de pessoas vacinadas, o que é muito superior à média de 6,7 mil pessoas registradas para as vacinas autorizadas na última década.

- Que efeitos são observados? -

Pfizer e Moderna informaram que não foi registrado nenhum efeito colateral grave nos dois meses posteriores à aplicação da segunda dose, apenas cansaço, dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, vermelhidão e dor no local da picada, principalmente depois da segunda dose. Ainda assim, a FDA irá estudar o conjunto dos dados de segurança, não apenas os resumos entregues pelos laboratórios em seus comunicados.

- Acompanhamento durante anos -

Após uma possível autorização de uso, o acompanhamento será feito durante anos. Nos Estados Unidos e na Europa, existem sistemas eficazes para detectar estatisticamente qualquer aumento de ocorrências médicas graves entre a população vacinada e confirmar uma possível relação de causa e efeito.

Para as vacinas contra a gripe, por exemplo, os CDC detectaram um aumento ínfimo no número de casos da síndrome de Guillain-Barré, em que o sistema imunológico ataca o sistema nervoso, mas sem encontrar uma ligação clara entre a vacina e a doença. "Todos esses casos ocorreram nas seis primeiras semanas", assinalou Edward Belongia, pesquisador no Marshfield Clinic Research Institute, que avalia as vacinas contra a gripe há mais de 15 anos para os CDC.

Esse acompanhamento levou em 1999 à retirada dos Estados Unidos da primeira vacina contra o rotavírus, nove meses após a sua autorização. Foram observados casos de oclusão intestinal em crianças duas semanas após a vacinação.

Em geral, o acompanhamento leva à restrição do uso das vacinas em determinados grupos, explicou Saad Omer. Ante esses riscos mínimos, alguns países mostram-se menos receosos do que outros. Na China, 88% das pessoas entrevistadas pela revista "Nature" estavam dispostas a se vacinar contra a Covid-19, frente a 59% dos consultados na França e 55% na Rússia.


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