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Estado de Minas

Com foco no combate à COVID-19, Biden se concentra na transição sem que Trump reconheça a derrota eleitoral

Nesta segunda-feira, presidente eleito formará um grupo de especialistas para desenvolver um plano nacional de combate ao coronavírus que poderá ser implantado a partir do mesmo dia em que assumir o poder, no dia 20 de janeiro


09/11/2020 06:13 - atualizado 09/11/2020 08:09

 

Joe Biden visitou ontem o túmulo da família, em Wilmington, estado de Delaware(foto: JOE RAEDLE/AFP)
Joe Biden visitou ontem o túmulo da família, em Wilmington, estado de Delaware (foto: JOE RAEDLE/AFP)
 

 

Depois de comemorar sua vitória sobre Donald Trump, Joe Biden se concentrou nos preparativos para sua chegada à Casa Branca em 73 dias, com o combate à pandemia como prioridade, enquanto o presidente republicano reiterou a recusa em aceitar os resultados.

 

O democrata recebeu os parabéns de várias lideranças de todo o mundo - com exceções como México e Brasil -, mas Trump continua sem conceder a vitória, alegando "fraude" na eleição, sem apresentar provas."Desde quando a mídia constrangedora dominante (utilizando um jogo palavras) decide o próximo presidente?", questionou Trump em um tuíte.


Trump planeja redobrar a ofensiva judicial para desafiar os resultados durante a semana, informou o advogado Rudy Giuliani, que citou "muita evidência" de fraude. Mas parece que as ações não devem ter impacto e foram ignoradas pelos eleitores democratas, que comemoram desde sábado a vitória de Biden.

O ex-presidente republicano George W. Bush ligou para Biden para felicitá-lo por uma eleição, que classificou de "honesta" e com um resultado "claro".


Biden e a vice-presidente eleita, Kamala Harris, publicaram no site BuildBackBetter.com os detalhes do plano de transição, que destaca quatro temas: a luta contra a covid-19, a recuperação econômica, a equidade racial e a mudança climática. "A equipe que está sendo formada vai enfrentar os desafios já no primeiro dia", afirma a mensagem, em referência a 20 de janeiro, o dia da posse.


A pandemia de COVID-19 - que matou mais de 237.000 pessoas nos Estados Unidos - estará no centro das ações de Biden como presidente eleito. Nesta segunda-feira, ele formará um grupo de especialistas para desenvolver um plano nacional de combate ao vírus que poderá ser implantado a partir do mesmo dia em que assumir o poder, no dia 20 de janeiro.


Outro eixo importante é a promessa de cancelar o processo de retirada dos Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde (OMS), lançado por Trump, e voltar ao Acordo do Clima de Paris para limitar as emissões que causam as mudanças climáticas.


Além disso, o democrata prometeu anular o decreto republicano de imigração que proíbe a entrada no país de cidadãos de vários países muçulmanos.


 Incerteza sobre maioria no Senado


A atitude de Trump nos próximos dias pesará na capacidade de Biden de atuar antes de 20 de janeiro.


Biden e Harris - a primeira mulher a se tornar vice-presidente do país - devem começar a trabalhar na composição de seu gabinete, que deve dar às mulheres e às minorias um lugar de destaque.


Em sintonia com seu discurso de unidade, especula-se também sobre a inclusão de representantes da extrema esquerda de seu partido, sem esquecer os centristas e talvez até alguns republicanos. Mas essa decisão está sujeita à forma como o Senado será formado e esses resultados ainda não estão completos.


Nesta legislatura que termina, os republicanos detêm a maioria no Senado com 53 dos 100 assentos. Nesta eleição, em que 35 cadeiras foram renovadas, os democratas perderam uma e obtiveram duas dos republicanos.


No entanto, a contagem dos votos em dois estados ainda precisa ser concluída e na Geórgia um segundo turno será necessário porque nenhum dos candidatos atingiu o índice necessário para ser eleito. A eleição será realizada no dia 5 de janeiro, juntamente com a eleição do segundo senador por este estado.


O Senado será crucial na resposta à aguda crise econômica causada pela COVID-19 que deixou milhões de desempregados e danos profundos à economia dos Estados Unidos.


Antes das eleições, a Câmara dos Representantes dominada pelos democratas e o governo não chegaram a um acordo para lançar um novo plano de ajuda para complementar o pacote de US$ 3 trilhões aprovado em março.


Diante das poucas chances de chegar a um acordo antes da mudança de comando, essas negociações seriam um primeiro teste para o governo Biden se os republicanos mantiverem a maioria no Senado. Também permitiria que os republicanos bloqueassem as indicações para o novo governo.


AMLO e Bolsonaro não parabenizam Biden 


Muitos líderes mundiais ignoraram os recursos republicanos apresentados por Trump à Justiça e parabenizaram Biden por sua vitória, com duas notáveis exceções na América Latina: os presidentes do México, Andrés Manuel López Obrador, e de Jair Bolsonaro.


López Obrador indicou que aguardará a resolução das "questões jurídicas" para se pronunciar e Bolsonaro simplesmente ficou em silêncio. Michael Shifter, presidente do Diálogo Interamericano com sede em Washington, afirmou que é difícil entender por quê López Obrador se negou a felicitar Biden como presidente eleito.


"É verdade que AMLO se deu surpreendentemente bem com Trump", disse o analista à AFP, que chamou a postura de "míope e autodestrutiva". Para Shifter, a decisão de Bolsonaro é mais compreensível porque ele e Trump tiveram uma grande "afinidade ideológica e de temperamento", mas é igualmente "míope".


Nos Estados Unidos, os políticos republicanos ativos não romperam as fileiras - exceto os habituais rebeldes, como o senador e ex-candidato à presidência Mitt Romney.O influente senador republicano Lindsey Graham pediu a Trump, no canal Fox, que não reconheça a derrota."Trump não perdeu. Senhor presidente, não ceda, lute muito", acrescentou.


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