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Estado de Minas

Rússia promete ajuda a Armênia caso combates se propaguem a seu território


31/10/2020 12:13

A Rússia está disposta a fornecer uma ajuda "necessária" a Armênia, que está em conflito com o Azerbaijão na região separatista de Nagorno Karabakh, caso os combates se propaguem ao território armênio, anunciou o ministério russo das Relações Exteriores.

"A Rússia concederá a Yerevan a ajuda necessária caso os confrontos aconteçam diretamente no território da Armênia", afirmou o ministério.

O anúncio de Moscou, que repetiu o apelo por um cessar-fogo, acontece depois que o primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, pediu ao presidente Vladimir Putin que inicie consultas "urgentes" sobre a ajuda que a Rússia poderia proporcionar para garantir a segurança de seu país.

Novas negociações entre Armênia e Azerbaijão sobre um possível cessar-fogo fracassaram na sexta-feira.

A Rússia, que tem uma base militar na Armênia, está vinculada a Yerevan por um tratado de defesa, mas já afirmou que o acordo não envolve a região separatista de Nagorno Karabakh.

Em sua carta, Pashinyan afirmou que os combates se aproximam das fronteiras armênias e voltou a acusar a Turquia de apoiar o Azerbaijão.

Ao citar as boas relações entre os dois países e o tratado de amizade, cooperação e assistência mútua que os associa desde 1997, o governante armênio pediu ajuda a Moscou.

Paralelamente, a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, afirmou a um canal de televisão que os formatos concretos de uma ajuda a Armênia serão debatidos.

Nagorno Karabkh, habitado em sua maioria por armênios cristãos, se separou do Azerbaijão, país muçulmano xiita de língua turca, pouco antes da desintegração da União Soviética em 1991, o que provocou uma guerra que deixou 30.000 mortos. Desde 1994 um cessar-fogo vigora na região, interrompido por confrontos esporádicos.

Desde 27 de setembro, as forças azerbaijanas e as tropas de Nagorno Karabakh, apoiadas por Yerevan, estão em confronto. Até o momento aconteceram três tentativas frustradas de trégua humanitária.

Carey Cavanaugh, ex-embaixador americano, considera que uma intervenção militar ampla no conflito não interessa a Moscou.

"É impossível medir os riscos, mas uma intervenção das tropas russas ou turcas neste momento levaria a uma significativa escalada no conflito", afirmou à AFP.

Ele considera que o exército russo "poderia tirar suas tropas do quartel em Gumri para garantir a segurança na fronteira" armênia ou dar assistência aos refugiados que fogem dos combates.

O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, escreveu no Twitter que "não vê e não quer" uma intervenção de outro país.

"É um combate entre nós e a Armênia. Ninguém deve interferir", acrescentou.

A Armênia e outros países acusam o Azerbaijão de receber ajuda da Turquia.

As autoridades de Karabakh afirmaram que a capital, Stepanakert, foi alvo de novos bombardeios, assim como as localidades de Martuni, Martakert e a cidade estratégica de Shusha, com um balanço provisório de um civil morto e vários feridos.

Os azerbaijanos, por sua vez, acusaram Yerevan de atacar com sua artilharia a cidade de Terter e três outras localidades.


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