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Estado de Minas

Professor é suspenso na Bélgica após mostrar caricatura de Maomé


30/10/2020 18:26

Um professor foi suspenso esta semana na Bélgica por mostrar a seus alunos, com idades entre 10 e 11 anos, uma das caricaturas de Maomé da revista francesa Charlie Hebdo, considerada "obscena" pela direção do colégio.

A informação, revelada pelo jornal La Libre Belgique, foi confirmada à AFP pelo porta-voz da prefeitura de Molenbeek, onde ocorreram os fatos.

"Dois ou três pais" se queixaram à direção desta escola de ensino fundamental de que um professor mostrou "a crianças do 5º e do 6º [anos]" um desenho do profeta muçulmano nu, em que aparecem seus genitais, explicou o porta-voz, Rachid Barghouti.

O professor belga mostrou uma das caricaturas polêmicas da revista francesa de sátira durante uma aula sobre liberdade de expressão.

Ele decidiu fazê-lo após o assassinato do professor francês Samuel Paty, decapitado em 16 de outubro por ter mostrado estas mesmas caricaturas a alunos do ensino médio.

O diretor da escola de Molenbeek denunciou a decisão do professor às autoridades de tutela, ou seja, aos vereadores do governo municipal, que decidiram suspendê-lo.

O professor "compareceu na quinta-feira perante o conselho comunal (o prefeito e seus vereadores) e o suspenderam", explicou Barghouti.

"Não é uma sanção, mas supõe iniciar o procedimento disciplinar", acrescentou.

Outra reunião entre o professor e representantes municipais será celebrada na quinta-feira da semana que vem. Nela poderá ser decidida uma sanção.

"Nossa decisão está baseada unicamente no fato de que se tratam de imagens obscenas, se não tivesse sido o profeta, teríamos tomado a mesma decisão", assegurou o porta-voz da prefeita socialista Catherine Moureaux, que governa este município em coalizão com liberais francófonos.

Molenbeek-Saint-Jean é uma cidade de 100.000 habitantes, que conta com uma importante comunidade magrebina e que foi considerada o berço do jihadismo na Europa depois que vários jovens desta cidade da periferia de Bruxelas estiveram envolvidos nos atentados de Paris de 13 de novembro de 2015.


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