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Estado de Minas

Dia dos mortos consola famílias em luto durante pandemia no México


30/10/2020 15:01

Patricia não conseguiu velar a mãe por causa da pandemia. É por isso que se sente aliviada ao colocar os patos de brinquedo de que gostava no altar do Dia dos Mortos, quando segundo acreditam os mexicanos o falecido retorna à casa.

Além dessas bonecas sorridentes, a psicóloga de 48 anos enfeita as oferendas com uma foto de sua mãe María Julieta, flores coloridas, caveiras de açúcar, confetes e sua comida preferida.

Ovos com batatas, sopa de macarrão cabelo-de-anjo, frutas, biscoitos, Coca Cola e vinho branco, que nunca faltaram na mesa da mulher, que faleceu no dia 6 de julho, aos 85 anos.

"Se tivesse colocado a oferenda com todos os patos, teria ocupado toda a casa. Nunca imaginei fazer uma oferenda com os patos, mas era o que ela mais gostava", conta Patricia Grain à AFP.

Hipertensa e diabética, Julieta morreu em casa após dois meses em que praticamente parou de comer. O resultado positivo para coronavírus foi confirmado pouco antes de partir.

Não houve velório, apenas rosários e cerimônias virtuais por restrições sanitárias, lembra Patrícia, que, ainda vestida de preto, tenta preencher esse vazio com a oferenda, uma homenagem anual aos mexicanos que morreram.

"É a única coisa que podemos fazer agora dentro de casa (...) É um respiro", afirma.

Esta mesma motivação inspira outras homenagens para o Dia dos Mortos, a maior tradição do México que será comemorada no próximo domingo e segunda-feira.

Será uma comemoração atípica, já que a maioria dos cemitérios estarão fechados por causa da pandemia que já tirou mais de 90 mil vidas no país, o quarto mais enlutado no mundo.

Como lembrete da nova realidade, o altar em homenagem a Julieta fica entre a mesa onde a filha trabalha e a mesa onde o neto tem aulas, ambos em de forma virtual.

Segundo a crença, no Dia dos Mortos as almas voltam para casa para conviver com seus parentes, que lhes prestam homenagens.

Com essa fé se prepara a família de Alma Romero, que morreu aos 41 anos de uma doença pulmonar em decorrência supostamente da covid-19.

A tristeza fica para trás quando eles montam com cuidado e alegria o altar que Alma divide com outros parentes falecidos.

"Os mortos vão brigar, vão dizer: 'porque não colocam nada para mim?'", diz uma tia a uma das crianças para explicar porque são colocados vários pan-de-muerto, típicos dos comemoração.

"A Coca da minha irmã, quem bebeu?", interrompe outra irmã de Alma.

Além do refrigerante, que alguém serviu novamente, a oferenda tem velas, tequila, incensos e velas.


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