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Estado de Minas

Em Michigan, mobilização dos eleitores negros é acompanhada com atenção


29/10/2020 15:49

Depois de sofrer uma crise de água contaminada e serem duramente atingidos pela epidemia da Covid-19, os eleitores de Flint - uma cidade predominantemente negra de Michigan, no norte dos Estados Unidos - têm motivos para desconfiar dos políticos.

A cidade tem uma longa tradição de militância: foi o epicentro da grande greve e ocupação da General Motors no final dos anos 1930; e recentemente Flint saiu às ruas para o movimento antirracista Black Lives Matter, contra a brutalidade policial.

Mas a questão central antes da eleição presidencial de 3 de novembro nos Estados Unidos é se mais eleitores negros em Flint votarão em comparação com a eleição anterior, quando a baixa participação deste eleitorado acabou ajudando o republicano Donald Trump a ganhar, por pouco, em um estado que já havia votado duas vezes em Barack Obama.

"Qualquer coisa é melhor do que o governo Trump para a saúde", disse Kent Key, pesquisador de disparidades raciais e étnicas da Michigan State University, que perdeu oito parentes para a covid-19.

Key também está indignado com a negativa de Trump - que tenta a reeleição - de condenar os supremacistas brancos e extremistas, como os recentemente acusados de conspiração para sequestrar a governadora democrata de Michigan, Gretchen Whitmer.

"Este governo forneceu muito combustível para vários grupos extremistas", ressalta Key. "Nunca vi (racismo) como o vejo agora, exposto abertamente, nem mesmo de forma sutil. Na sua cara".

- Voto em branco -

Embora a rejeição ao governo Trump seja clara, o candidato presidencial democrata, Joe Biden, também tem sido questionado.

As pessoas não se esqueceram de que em 1994 ele foi a favor de um projeto de lei no Senado que previa longas penas de prisão para crimes relacionados às drogas, embora não violentos.

Biden prometeu reformar o sistema penitenciário, mas alguns estão céticos.

"Não sei se eles oferecem o que deveriam à população afro-americana", ressalta o ativista JoJo Freeman, referindo-se aos dois candidatos.

"Não vejo resposta em nenhum deles", acrescentou o militante, que cogita votar em branco.

Em Flint, as coisas estão complicadas pela persistente desconfiança em relação às autoridades depois da crise de água contaminada em 2014.

Naquela época, o governo municipal decidiu mudar o abastecimento de água potável para retirá-la do rio Flint por meio de canos de chumbo corroído.

Essa decisão, revertida um ano depois, foi tomada por funcionários temporários com a aprovação do então governador republicano, Rick Snyder, que pretendia administrar a cidade como um negócio.

- "Apatia" -

O governo Snyder inicialmente não levou a sério as queixas dos moradores doentes, mas depois teve que reconhecer o problema quando os testes - feitos por ativistas e médicos locais - mostraram níveis perigosos de alta exposição ao chumbo.

Mesmo agora, muitas pessoas ainda não confiam na água.

"Nosso governo mentiu para nós", afirma a ativista Claire McClinton, que vê semelhanças entre os comentários de Snyder sobre a água e a posição de Trump sobre o coronavírus.

"Em Flint, eles nos disseram 'a água está boa'. Com a covid-19 nos disseram 'não é algo tão sério'. Na verdade, é uma farsa", argumenta a militante, que incentiva seus amigos a votarem em Biden.

"A apatia do eleitor tem sido muito, muito forte", lamenta o pastor Chris Martin, que está liderando uma campanha para promover a votação em Flint.

"Estamos progredindo, mas não o suficiente, e não olhamos as pesquisas porque da última vez (houve uma eleição presidencial) olhamos para elas e (os resultados) nos pegaram desprevenidos", acrescenta.


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