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Estado de Minas

Papa defende união civil gay: o que Francisco já disse sobre homossexualidade

Afirmações do líder máximo da Igreja Católica foram exibidas em documentário sobre sua vida. Segundo analistas, trata-se de uma das declarações mais abertas sobre o assunto já pronunciadas por ele


21/10/2020 19:03 - atualizado 21/10/2020 20:33

'Eles são filhos de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deve ser excluído ou forçado a ser infeliz por isso', disse o papa Francisco sobre a união civil de homossexuais(foto: Reuters)
'Eles são filhos de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deve ser excluído ou forçado a ser infeliz por isso', disse o papa Francisco sobre a união civil de homossexuais (foto: Reuters)
Casais homossexuais devem ter o direito a firmar uniões civis, afirmou o papa Francisco em um documentário que estreou nesta quarta-feira (21/10).

 

"Os homossexuais têm direito a formar uma família", disse ele no filme, dirigido por Evgeny Afineevsky.

"Eles são filhos de Deus e têm direito a uma família. Ninguém deve ser excluído ou forçado a ser infeliz por isso."

 

"O que temos que fazer é criar uma legislação para a união civil. Dessa forma, eles ficam legalmente cobertos."

 

De acordo com analistas, este é um dos comentários mais explícitos que o papa já fez sobre relacionamentos homossexuais.

 

O filme Francesco, sobre a vida e obra do papa Francisco, estreou como parte do Festival de Cinema de Roma.

 

Na entrevista, ele afirmou também que já "se posicionou quanto a isso", aparentemente se referindo ao período em que foi arcebispo de Buenos Aires e defendeu alguns mecanismos de proteção legal para casais do mesmo sexo, embora se opusesse a casamentos homossexuais em si.

 

Além dos comentários sobre a união civil, o filme também o mostra incentivando dois homens gays a frequentar a igreja com seus três filhos.

 

Biógrafo do papa Francisco, Austen Ivereigh disse à BBC que "não ficou surpreso" com os comentários.

"Esta era sua posição como arcebispo de Buenos Aires", disse Ivereigh. "Ele se opunha ao casamento homossexual, mas ele acreditava que a Igreja deveria defender uma lei de união civil para casais homossexuais, dando-lhes proteção legal."


O corpo doutrinário do Vaticano, a Congregação para a Doutrina da Fé, já afirmou que 'o respeito pelas pessoas homossexuais não pode levar de forma alguma à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais'(foto: AFP)
O corpo doutrinário do Vaticano, a Congregação para a Doutrina da Fé, já afirmou que 'o respeito pelas pessoas homossexuais não pode levar de forma alguma à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais' (foto: AFP)

 

Segundo a atual doutrina católica, as relações homossexuais configuram "comportamento desviante".

Em 2003, o corpo doutrinário do Vaticano, a Congregação para a Doutrina da Fé, afirmou que "o respeito pelas pessoas homossexuais não pode levar de forma alguma à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais".

 

O que mais o papa Francisco disse sobre homossexualidade no passado?

 

Os comentários do papa são os mais recentes de uma série de falas sobre os direitos LGBT — sempre expressando algum apoio, mas não um endosso total.

 

Em 2013, no livro Sobre o Céu e a Terra, o Papa disse que equiparar legalmente casamentos homossexuais a heterossexuais seria "uma regressão antropológica".

 

Ele também afirmou que, se casais do mesmo sexo pudessem adotar, "as crianças poderiam ser afetadas... cada pessoa precisa de um pai homem e uma mãe mulher que possam ajudá-los a moldar sua identidade".

Naquele mesmo ano, ele reafirmou a posição da Igreja de que atos homossexuais eram pecado, mas que a homossexualidade por si só não.

 

"Se uma pessoa é gay, busca a Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?", indagou.

 

Em 2014, houve relatos de que o papa Francisco havia expressado apoio às uniões civis homossexuais em uma entrevista, mas a assessoria de imprensa da Santa Sé negou.

 

Então, em 2018, o papa Francisco afirmou que estava "preocupado" com a homossexualidade no clero, e que este era "um assunto sério".


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