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Estado de Minas

Nigéria envia polícia de choque às manifestações devido ao aumento da violência


20/10/2020 15:07

O governo nigeriano anunciou, nesta terça-feira (20), um toque de recolher indefinido em Lagos e o envio das forças antidistúrbios contra o aumento da violência nas manifestações de jovens contra o governo em várias cidades.

Um porta-voz afirmou que o toque de recolher em Lagos, que entrou em vigor às 16h00 locais, agora está indefinido e vigente dia e noite até nova ordem, quando foi anunciado em princípio que duraria apenas 24 horas.

Cerca de 1.000 manifestantes continuavam reunidos nesta terça-feira na avenida de Lekki, um dos centros dos protestos em Lagos, capital econômica do país, alguns minutos antes do início do toque de recolher, segundo uma jornalista da AFP.

"Estamos preocupados? Não, morreremos aqui!", gritava a multidão, que balançava bandeiras nigerianas.

"Sobrevivemos ao confinamento, vamos sobreviver ao toque de recolher", "Não ficaremos em silêncio" ou "A juventude está construindo a Nigéria", eram algumas das frases lidas nos cartazes dos manifestantes.

No início do toque de recolher, os manifestantes entoaram o hino nacional e sentaram-se no chão.

Após mais de dez dias de manifestações contra a violência policial, que começaram nas cidades do sul e que derivaram em um movimento de protesto juvenil contra o governo em todo o país, vários incidentes foram registrados na manhã desta terça-feira.

Diante da violência, o chefe da polícia ordenou pela tarde "o envio imediato das unidades antidistúrbios em todo o país para proteger os nigerianos e seus pertences, e para proteger as infraestruturas nacionais básicas".

Pela manhã, em Lagos, grupos de jovens indignados tomaram o controle de quase todas as ruas da megalópole de 20 milhões de habitantes, bloqueando os motoristas e deixando alguns veículos passarem em troca de dinheiro, observou um jornalista da AFP.

No oeste da cidade, uma delegacia da polícia foi incendiada. Houve disparos e várias pessoas foram feridas por balas.

- "Um monstro" -

"As manifestações pacíficas se tornaram um monstro que ameaça o bem-estar da nossa sociedade", declarou o governador Babajide Sanwo Olu antes de anunciar o toque de recolher.

Na capital federal Abuya, dezenas de veículos e prédios foram incendiados e a polícia foi enviada ao local, segundo um jornalista da AFP.

Há alguns dias, vários manifestantes acusam os encrenqueiros, armados com paus e facões, de receberem dinheiro para se infiltrar em seus protestos, com o objetivo de intimidar ou descredibilizar o movimento.

As manifestações deixam ao menos 18 mortos na Nigéria desde o seu início, segundo uma contagem da AFP realizada com base nos dados da Anistia Internacional e da polícia.


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