Publicidade

Estado de Minas

Arce assumirá as rédeas de uma Bolívia polarizada e em crise econômica


19/10/2020 21:43

O esquerdista Luis Arce assumirá as rédeas de uma Bolívia polarizada e em crise econômica, após obter uma vitória contundente nas urnas neste domingo, que abre as portas para o retorno ao país de seu mentor político, Evo Morales.

Apesar da ausência de resultados oficiais significativos até o momento, devido ao avanço lento da apuração dos votos, as projeções que davam a vitória a Arce foram reconhecidas por seus adversários.

"A Bolívia recuperou a democracia. Quero afirmar, sobretudo aos bolivianos, recuperamos as esperanças", disse Arce, chamado por seus seguidores de 'Lucho' em uma entrevista coletiva ao lado de seu vice-presidente, David Choquehuanca, que foi chanceler de Morales (2006-2019).

- 'Voz de Deus' -

De seu exílio em Buenos Aires, Morales expressou nesta segunda-feira que "cedo ou tarde" voltará à Bolívia, o país com a maior proporção de população indígena da América Latina (41%). "O meu maior desejo é voltar à Bolívia e entrar em minha região. É questão de tempo", afirmou Morales, que tem ordem de prisão pendente na Bolívia por suposto "terrorismo".

O ex-presidente conservador Jorge Quiroga, que, como a presidente interina, Jeanine Añez, retirou sua candidatura a alguns dias da eleição para facilitar uma frente anti-Morales, tuitou: "Duro amanhecer para os que lutamos por 15 anos" contra o ex-presidente do Movimento ao Socialismo (MAS).

No entanto, para José Carlos Quispe, um trabalhador de 52 anos, "esses dez meses (de governo de Añez) mostraram ao povo que a direita é inoperante, inútil para governar". "O povo decidiu, e a voz do povo é a voz de Deus, não?", questionou.

Líderes latinos, como o argentino Alberto Fernández, o venezuelano Nicolás Maduro e o peruano Martín Vizcarra, além de representantes de órgãos internacionais, como OEA e ONU, saudaram a vitória de Arce.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, destacou que as eleições foram "pacíficas e altamente participativas", e convocou os bolivianos a se comprometerem "com a democracia, o respeito aos direitos humanos e a reconciliação nacional".

"O presidente Trump e os Estados Unidos esperam trabalhar com o governo eleito boliviano nos interesses compartilhados de nossos cidadãos", disse o chefe da diplomacia americana para a América Latina, Michael Kozak.

Arce também recebeu felicitações de Luis Almagro, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), entidade cujo relatório sobre as eleições de 2019 estimulou protestos que levaram à renúncia de Morales, após uma polêmica nova reeleição. "O povo da Bolívia se expressou nas urnas. Parabenizamos Luis Arce e (o futuro vice-presidente) David Choquehuanca, desejando sucesso em seus trabalhos futuros", disse Almagro no Twitter.

De acordo com o canal de televisão Unitel, Arce venceu no primeiro turno da eleição presidencial com 52,4% dos votos, contra 31,5% de Mesa. A fundação 'Jubileo' aponta Arce com 53% dos votos e Mesa com 30,8%.

O Supremo Tribunal Eleitoral indicou hoje que o novo presidente deverá assumir o cargo na primeira quinzena de novembro.

- 'Teremos riqueza' -

Economista, Arce, 57, estudou na Universidade Mayor de San Andrés, em La Paz, e fez mestrado na universidade britânica de Warwick. Trabalhou por 18 anos no Banco Central e foi ministro de Economia e Finanças por quase todo o período Morales, tendo um perfil mais técnico do que político.

Durante a presidência de Morales, a Bolívia elevou o Produto Interno Bruto (PIB) de 9,5 bilhões de dólares anuais a 40,8 bilhões e reduziu a pobreza de 60% a 37%, de acordo com dados oficiais.

"Arce era um grande ministro. Agora, como presidente, a economia ficará muito bem. Teremos cinco anos de riqueza", declarou à AFP a estudante Ada Mary Medrano, 18 anos. Mas o novo presidente herdará uma economia fortemente atingida pela crise do novo coronavírus, com uma contração prevista do PIB de 6,2% em 2020.

Quase 7,3 milhões de eleitores estavam registrados para votar, numa jornada em que também se renovariam as 166 cadeiras do Congresso, bicameral, onde também se prevê uma vitória do MAS.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade