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Estado de Minas

Candidata de Trump à Suprema Corte dos EUA diz que sua fé católica não determina suas decisões


13/10/2020 14:55

A juíza Amy Coney Barrett, nomeada pelo presidente Donald Trump para a Suprema Corte americana, assegurou nesta terça-feira (13) que sua fé católica não pesará em suas decisões, no segundo dia de audiência no Senado.

Barrett, no entanto, se negou a opinar sobre a sentença do alto tribunal que legalizou o aborto.

"Os juízes não podem levantar uma manhã e dizer: 'Tenho um objetivo na minha vida, amo ou odeio armas de fogo, amo ou odeio o aborto' e impor sua vontade como figuras da realeza", afirmou frente aos senadores responsáveis pela sua confirmação no cargo.

Submetida a uma saraivada de perguntas após um primeiro dia dedicado a comentários gerais, Barrett admitiu ter uma arma e seguir os ensinamentos da Igreja Católica.

"Você pode deixar de lado suas crenças religiosas?", questionou a senadora republicana Lindsey Graham.

"Sim, estou fazendo isso como juíza" do tribunal federal de apelações de Chicago "e, se me confirmarem, continuarei a fazê-lo" na Suprema Corte, prometeu.

"Nossa fé é importante para nós", continuou, mencionando seu marido e os sete filhos, sendo dois deles adotados no Haiti e o mais novo tem síndrome de Down.

"Mas esta é minha escolha" e "eu nunca tentei impor isso" aos outros, ressaltou.

- "Dogma religioso" -

A senadora democrata Dianne Feinstein fez várias perguntas sobre temas polêmicos, começando com o direito ao aborto, reconhecido pela Suprema Corte em 1973 para desgosto da direita religiosa.

Mas Feinstein ficou sem uma resposta.

"Caso eu diga que o amo ou que o odeio, isso seria um sinal enquanto houver recursos pendentes", explicou a juíza, antes de se esquivar de possíveis outras questões envolvendo armas de fogo ou direitos de minorias sexuais, da mesma maneira.

Feinstein considerou "preocupante não ter uma resposta clara", mas evitou agredir a juíza por suas convicções religiosas, como fez há três anos, durante uma apresentação no Congresso.

"O dogma religioso vive em você", acrescentou Feinstein.

Mas em um país onde apenas um quarto da população é ateia ou sem religião, o rival de Trump, Joe Biden, pediu aos senadores do seu partido que não tocassem neste campo sensível.

"Sua fé não deve ser levada em consideração", disse o candidato na segunda-feira sobre Barrett.

- "Irresponsável" -

A magistrada conservadora, de 48 anos, muito apreciada pela direita religiosa, foi indicada em 26 de setembro pelo presidente republicano para suceder à juíza feminista e progressista Ruth Bader Ginsburg, falecida oito dias antes.

Ansioso por agradar à direita religiosa, Trump prometeu obter sua confirmação antes das eleições de 3 de novembro.

Com poucas ferramentas para bloquear sua confirmação, a oposição democrata criticou um calendário de audiências "irresponsável", em plena pandemia, enquanto três senadores republicanos testaram positivo para o novo coronavírus no início do mês.

Além disso, os democratas são minoria no Senado e não poderiam impedir que Barrett integrasse a Suprema Corte. Com a confirmação dessa juíza, a Corte teria - do total de nove membros - seis magistrados conservadores e liberais.

Impedidos de ter influência sobre essa questão, os democratas parecem determinados a usar a tribuna do Senado para divulgar suas opiniões. Eles se concentram em discutir a lei conhecida como "Obamacare", pela qual o governo Barack Obama garantiu os cuidados de saúde de milhões de americanos.

Um recurso contra "Obamacare", apoiado pelo governo Trump, deve ser discutido em novembro pela Suprema Corte e os democratas temem que a lei seja anulada se Barret participar da decisão.

"Não sou hostil" a essa lei, respondeu a juíza nesta terça-feira.

"Nunca conversei com o presidente ou com um membro dessa equipe sobre a maneira como poderia me pronunciar a respeito desse assunto", explicou Barrett.

Além disso, ela disse que "não tinha nenhum compromisso" com a Casa Branca ou o Senado sobre como lidaria com questões delicadas, incluindo possíveis ações judiciais pós-eleitorais.


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