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Estado de Minas

Campanha nos EUA ganha força por decisão de Trump de acelerar substituição na Suprema Corte


20/09/2020 18:31

A disputa pela Casa Branca esquentou neste domingo após a decisão de Donald Trump de indicar sua escolha para a Suprema Corte logo recebeu duras críticas de seu rival democrata, Joe Biden, que insistiu que ele deveria esperar até as eleições de 3 de novembro.

Determinado a fortalecer o lado conservador da Corte, Trump disse no sábado que espera anunciar na próxima semana quem vai suceder a juíza liberal Ruth Bader Ginsburg, que morreu na sexta-feira aos 87 anos. Indicou que "será uma mulher", embora tenha dito que ainda não tomou uma decisão.

A determinação de Trump em preencher essa vaga antes da eleição atraiu reações dos democratas, desesperados para impedir que o presidente reeleito mova o tribunal para a direita de forma duradoura.

Biden, em um comício na Filadélfia neste domingo, pediu aos senadores que não votassem na substituição de Ginsburg "até que os americanos pudessem escolher seu próximo presidente e seu próximo Congresso".

A nomeação imediata de um indicado por Trump "apenas um exercício de poder político absoluto", denunciou Biden, que lidera o presidente nas pesquisas eleitorais.

De acordo com a Constituição dos Estados Unidos, o presidente indica os juízes da Suprema Corte, cujos cargos são vitalícios, e o Senado deve confirmá-los.

No Senado, os democratas são minoria: ocupam 47 das 100 cadeiras. Mas depois que dois senadores republicanos, Lisa Murkowski do Alasca e Susan Collins do Maine, expressaram sua oposição a uma votação apressada, as chances para a aposta do presidente estão diminuindo.

Ambos os partidos já se preparam para uma batalha difícil em um ano já marcado por uma votação de impeachment contra Trump, pela pandemia de covid-19 e pela forte crise econômica.

Os democratas têm poucas opções: recorrer a táticas retardadoras no Senado ou tentar pressionar os republicanos mais moderados a contrariarem seu partido.

"Temos nossas opções, alguns caminhos disponíveis", disse a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, à ABC no domingo.

Ela, contudo, rejeitou a ideia de usar negociações com o governo Trump sobre um novo projeto de lei de ajuda à pandemia como uma alavanca para desacelerar as coisas.

- "Antes do dia das eleições" -

Os democratas denunciam como hipócrita a atitude da maioria dos republicanos, em particular a do líder do Senado Mitch McConnell, que em 2016 bloqueou a tentativa de Barack Obama, muito antes das eleições daquele ano, de preencher mais uma vaga na Suprema Corte.

Os republicanos insistem que a situação atual é diferente, porque o mesmo partido controla tanto o Senado quanto a Casa Branca.

"A coisa certa a fazer é o Senado confirmar a nomeação antes do dia da eleição", disse o senador republicano Ted Cruz à ABC.

A alta corte tem papel decisivo em questões de grande importância social, como aborto, saúde, controle de armas e direitos da comunidade LGBTQ.

Os conservadores controlam cinco das nove cadeiras, mas o presidente da Corte, John Roberts, às vezes se posiciona ao lado dos liberais.

Se a nomeação de quem sucederá "RBG" for feita nos próximos dias, a maioria conservadora provavelmente passará de 6 para 3.

Cruz, que está na lista de Trump de potenciais candidatos ao tribunal, insistiu no domingo que um tribunal em pleno funcionamento é necessário para evitar um impasse crítico no caso de uma batalha legal sobre o resultado da eleição.

"Uma composição de 4-4 não pode decidir nada", disse o senador no poder. "Precisamos de uma corte completa no dia da eleição".

- Substituições possíveis -

Segundo a imprensa, Trump tem em mente dois nomes para substituir "RBG": Amy Coney Barrett, uma juíza federal de apelação de 48 anos de Chicago, e Barbara Lagoa, 52, uma juíza federal de Miami.

Dos vinte nomes de uma lista provisória divulgada anteriormente por Trump, Barrett, uma católica fervorosamente antiaborto, é considerada uma das mais conservadoras.

Lagoa, por sua vez, um cubana-americana, poderia ajudar Trump a ganhar votos no importante estado da Flórida.

Nenhuma data foi definida para o funeral de Ginsburg ou um serviço memorial público, que com certeza será um grande evento nacional.


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