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Estado de Minas

Trabalhistas britânicos iniciam congresso online


20/09/2020 15:37

O Partido Trabalhista britânico iniciou seu congresso anual neste domingo(20) para reconquistar o apoio popular após anos de lutas ideológicas internas e fracassos eleitorais. Devido ao novo coronavírus, o encontro está sendo realizado online pela primeira vez.

A reunião do principal partido da oposição, prevista até terça-feira, é a primeira desde a derrota nas eleições legislativas de dezembro contra os conservadores do primeiro-ministro Boris Johnson e a chegada de Keir Starmer à liderança da formação.

O centrista foi eleito em abril para suceder Jeremy Corbyn (da esquerda radical). Ele prometeu reativar a formação, enfraquecida e dividida em temas como o Brexit, o posicionamento econômico do partido e a gestão do antissemitismo dentro dele.

Apesar das "tensões" persistentes, "ele conseguiu evitar que o partido afundasse ainda mais em divisões internas" que marcaram a era Corbyn, disse Simon Usherwood, professor de política da universidade de Surrey, à AFP.

- Credibilidade -

A crise de saúde causada pelo novo coronavírus conferiu um apoio inesperado ao ex-advogado de 58 anos. O governo conservador é acusado de ter administrado mal a pandemia no país, o mais afetado na Europa, com quase 42 mil mortes.

Keir Starmer disse neste domingo que apoia os esforços do governo para tentar impedir o ressurgimento do vírus, incluindo multas de até 10.000 libras para aqueles que não cumprirem a ordem de isolamento.

Mas criticou um sistema de detecção que, segundo ele, é falho e não previu o aumento acentuado da demanda por exames com a reabertura de escolas e empresas. "O governo perdeu o controle da detecção, não sabe onde está o vírus", disse ele à Sky News.

Os ataques a Boris Johnson na Câmara dos Comuns, a quem Starmer culpa pela falta de proteção a profissionais de saúde e deficiência na detecção, fizeram com que muitos o vissem como um possível primeiro-ministro.

Segundo pesquisa da YouGov publicada na última quinta-feira, apenas 30% dos britânicos acreditam que o Executivo administrou bem a crise contra 68% que o crítica.

Pela primeira vez desde que Johnson assumiu o poder no verão de 2019, uma pesquisa publicada no final de agosto coloca os trabalhistas e conservadores lado a lado na intenção de voto.

Jeremy "Corbyn era muito bom em mobilizar um certo grupo de apoio aos trabalhistas, mas não tinha credibilidade para primeiro-ministro", estima Simon Usherwood.

- "Escalar una montanha" -

Keir Starmer voltou ao ataque antes da abertura do congresso, acusando o governo do Reino Unido de "incompetência".

Angela Rayner, a número dois do Partido Trabalhista, vê uma oportunidade de mostrar ao país "novas lideranças", mas reconhece que é preciso "escalar uma montanha" se o partido quiser chegar ao poder nas próximas eleições legislativas, em 2024.

Na terça-feira, o líder da oposição apresentará sua visão para o Reino Unido, mostrando-se como a antítese de Boris Johnson. "Ele usará seu discurso para reforçar sua reputação como um líder competente", prevê Steven Fielding, professor de história política da Universidade de Nottingham, em declarações à AFP.

Pela primeira vez em muito tempo, o Brexit, fonte de profunda discórdia entre os trabalhistas, ficará em segundo plano. O foco é reconquistar as classes populares, que se renderam em massa ao discurso de Boris Johnson, contrário à União Europeia, e cujo votos serão decisivos.

Keir Starmer se apresenta como um pacificador, mas deve ter cuidado para não entrar em muitos detalhes, acredita o cientista político, para não se opor a militantes muito apegados ao programa radical de Jeremy Corbyn, que prevê nacionalizações massivas.

"A maioria dos membros do Partido Trabalhista está pronta para dar a Keir Starmer uma chance de ver se ele pode unir o partido e fazê-lo se desenvolver", disse John McDonnell, o ex-diretor financeiro do líder, ao jornal italiano La Repubblica. Mas não quer "nenhum revés do radicalismo de Jeremy Corbyn", adverte.

Na ala esquerda, "há um forte temor (...) de que ele leve o partido para uma direção mais moderada", afirma Steven Fielding.


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