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Estado de Minas

Sem chuva à vista, muito calor e vento, a Califórnia enfrenta mais incêndios


16/09/2020 20:38

Com um clima muito seco e quente e nenhuma previsão de chuva, a Califórnia deve enfrentar mais incêndios florestais devastadores, alertaram as autoridades nesta quarta-feira (16), que seguem combatendo dezenas de incêndios ativos enquanto temem novos focos.

O governador Gavin Newsom disse que ainda que os bombeiros estejam progredindo, os fortes ventos podem atiçar as chamas no estado, que já registrou 25 mortes e milhares de estruturas destruídas desde meados de agosto, quando os incêndios começaram a se alastrar pela costa oeste dos Estados Unidos.

"Com os ventos que estamos enfrentando e com o que prevemos para os próximos dias, temos que estar cientes de que mesmo com uma alta taxa de contenção, esses incêndios estão tudo menos controlados", disse ele em uma coletiva de imprensa.

A agência estadual de combate a incêndios Cal Fire previu anteriormente que "sem precipitação significativa à vista, a Califórnia permanece seca e propícia para incêndios florestais" e também citou que o clima quente esperado eleva o risco.

A maioria dos incêndios ocorre na Califórnia, o estado mais populoso do país, mas eles também se espalharam para outros estados do oeste, como Oregon e Washington.

Newsom ressaltou que 7.606 incêndios foram registrados até agora neste ano, em comparação com 4.972 em 2019, quando 47.750 hectares foram queimados. Só na Califórnia, mais de 17.000 bombeiros foram destacados nesta temporada de incêndios recorde que já atingiu uma área queimada de 1,3 milhão de hectares.

- Fumaça na Europa -

A fumaça cruzou os EUA e se deslocou em direção à costa leste do país, além de já estar sendo sentida na Europa, uma situação inédita, segundo o Serviço Europeu de Monitoramento da Atmosfera Copernicus.

"A escala e magnitude desses incêndios estão em um nível muito maior do que qualquer um dos 18 anos que nossos dados de monitoramento cobrem" desde 2003, disse Mark Parrington, cientista sênior e especialista em incêndios florestais do instituto.

Ele acrescentou que o fogo está emitindo tanta poluição que uma fumaça densa ficou visível a mais de 8.000 quilômetros de distância no norte da Europa, mostrando o quão devastadoras as chamas foram em magnitude e duração.

A fumaça mais forte dos incêndios, que começaram em meados de agosto no estado da Califórnia, permanece na costa oeste dos EUA. Cidades como Los Angeles e San Francisco, assim como Portland, em Oregon, e Seattle, em Washington, registraram algumas das piores qualidades de ar do mundo.

- Prejuízos -

Oregon e Washington também sofreram com incêndios recordes. Em Oregon, que já teve o dobro de área queimada do que o de costume a cada ano, 10 pessoas foram mortas pelo fogo alimentado por condições secas.

Eraida Rodas viu a casa móvel de madeira onde morou por 12 anos em Talent, Oregon, transformada em cinzas pelo Almeda Fire, pelo qual a Casa Branca declarou um estado de "grande desastre". "Sinto que perco todos os esforços da minha família", disse Rodas, uma professora de educação infantil de 37 anos, entre soluços. Ela acrescentou que se sentia "vazia".

Espera-se que a chuva traga algum alívio em partes do Oregon e Washington na quarta-feira, com o maior risco concentrado na Califórnia. As chamas em toda a costa oeste - algumas causadas por quedas de raios - já desalojaram dezenas de milhares de pessoas.

Além disso, o impacto econômico dos incêndios deste ano deve ser astronômico. Um especialista estima o dano em mais de 20 bilhões de dólares.

O desastre trouxe ainda a questão do aquecimento global para o primeiro plano na campanha para a eleição presidencial dos Estados Unidos, que será realizada em menos de dois meses.

Há evidências crescentes de que incêndios como esses não seriam tão intensos e generalizados sem o aquecimento da era industrial. Foi demonstrado que as mudanças climáticas amplificam as secas, criando condições ideais para que as florestas queimem.

Newsom disse na quarta-feira que "não tem paciência com os negacionistas da mudança climática", em um aparente ataque ao presidente Donald Trump, que em sua visita à Califórnia na segunda-feira rejeitou a relação da catástrofe com o aquecimento global.


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