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Estado de Minas

Investigador relata a 'corrida contra o tempo' para encontrar atacantes do Charlie Hebdo


15/09/2020 15:19

Um investigador relatou nesta terça-feira (15) no julgamento do atentado ao semanário Charlie Hebdo, em Paris, a "corrida contra o tempo" para encontrar os autores do massacre, os irmãos Chérif e Said Kouachi, que decidiram morrer como "mártires".

"Os Kouachi sabiam que iam morrer", disse a um tribunal especial em Paris o ex-chefe da subdiretoria de antiterrorismo (Sdat), à frente da investigação dos ataques ao Charlie Hebdo.

"Estávamos em uma corrida contra o tempo", com "dois fugitivos determinados, que a qualquer momento poderiam dar de cara com uma patrulha policial e que não hesitariam em atirar", disse o investigador, sob condição de anonimato.

Após o ataque ao semanário Charlie Hebdo em 7 de janeiro de 2015, no qual 12 de seus colaboradores foram mortos, incluindo os renomados cartunistas Cabu, Charb, Honoré, Tignous e Wolinski, os irmãos Kouachi conseguiram escapar.

Para tentar descobrir seu paradeiro, a polícia francesa lançou em poucas horas uma operação "extraordinária" que incluiu bloqueios de estradas, sobrevoos de helicópteros, buscas domiciliares e interrogatórios.

Vestido com um terno cinza escuro, gravata vinho e cabelo curto, o policial deu um depoimento com uma precisão rigorosa, sem mencionar os primeiros estágios da investigação.

Em poucos dias, mais de 2.000 provas foram produzidas. Na linha habilitada para coletar depoimentos, foram recebidas 5 mil ligações, sendo 1.700 somente no dia 7 de janeiro.

- "Mate o maior número de pessoas" -

Tivemos que "separar o joio do trigo", disse o investigador. "Muitas testemunhas viram os irmãos Kouachi em todos os lugares: em um trem para Bordeaux, em um apartamento em Reims, nos Pirineus ...", disse em tom irônico.

Após 24 horas de buscas infrutíferas, uma nova pista surgiu. Na madrugada de 8 de janeiro, os dois terroristas assaltaram um posto de gasolina no norte da França, do qual levaram comida e bebidas. A polícia então iniciou uma busca nas matas da área.

No dia seguinte, eles agrediram uma motorista do sexo feminino a cerca de 30 quilômetros do posto de gasolina e levaram seu veículo. Tudo isso sem esconder o rosto.

Para o investigador, os irmãos Kouachi buscaram provocar um confronto com a polícia, atraindo-a para áreas de difícil acesso.

As evidências "sugerem que eles queriam lutar na floresta" com "o desejo de matar o maior número possível de pessoas", disse o pesquisador, que lembrou que os Kouachi "tinham o suficiente para sobreviver", como "cobertores de sobrevivência" e "insumos para primeiros socorros".

"Essas são apenas hipóteses", disse ele. "Tudo o que sabemos é que eles estavam dispostos a morrer como mártires."

Chérif e Said Kouachi, dois franceses de origem argelina com 32 e 34 anos, respetivamente, morreram num tiroteio com a polícia em 9 de janeiro em uma gráfica, onde se refugiaram, nos subúrbios de Paris.


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