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Estado de Minas

Cacique Raoni é novamente hospitalizado, dessa vez com coronavírus


31/08/2020 18:49

O cacique Raoni Metuktire, ícone da luta pela preservação da Amazônia, contraiu o novo coronavírus e foi hospitalizado novamente. Embora tenha um quadro "estável", deve continuar internado por uma inflamação cardíaca, segundo o Instituto Raoni e fontes médicas informaram nesta segunda-feira (31).

O líder Kayapó, com cerca de 90 anos, recebeu alta há um mês, após dez dias de internação por úlcera gástrica e problemas intestinais.

Porém, Raoni foi internado novamente na última sexta-feira no hospital Dois Pinheiros, em Sinop, no estado de Mato Grosso.

O Instituto Raoni explicou nesta segunda-feira que a família do paciente pediu para não divulgar a informação até "termos comprovação de que o Cacique Raoni se encontra fora de perigo".

A nova internação ocorreu por causa de "alterações na taxa de leucócitos no sangue e sintomas de pneumonia. Exames específicos realizados, tomografia computadorizada e sorologia confirmaram covid-19", diz o comunicado da entidade.

"Seu estado é bom, sem febre, respirando normalmente e sem ajuda de oxigênio", acrescentou a instituição.

Ao receber alta hospitalar no mês passado, os médicos indicaram que Raoni apresentava um "quadro de profunda tristeza" desde a morte de Bekwyjka, sua esposa e companheira por 60 anos, em 23 de junho.

O líder indígena viajou o mundo nas últimas três décadas para conscientizar sobre a ameaça de destruição da Amazônia.

Raoni já chegou a ser acusado pelo presidente Jair Bolsonaro de estar a serviço de potências estrangeiras.

Em entrevista à AFP no início de junho, Raoni afirmou que o presidente estava tentando "se aproveitar" da pandemia do coronavírus para promover projetos que podem acarretar no desaparecimento dos povos indígenas.

No total, 757 indígenas morreram e 28.815 foram infectados pela covid-19 no país, segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).

Em seu primeiro comunicado, o Instituto Raoni pediu ajuda dentro e fora do país para conter a propagação da pandemia no território do cacique, no Mato Grosso.

"Protejam-se! Protejam-nos!", conclui o comunicado.

Segundo a ONG francesa Planète Amazone, a aldeia Kapot, do território conhecido como Kapotó/Jarina, teve o primeiro caso do novo coronavírus registrado "há mais de um mês" e desde então tem registado "várias mortes".

O Supremo Tribunal Federal (STF) ratificou uma decisão em 5 de agosto que obriga o governo a adotar medidas urgentes para proteger os povos indígenas do novo coronavírus.


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