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Estado de Minas

Novo primeiro-ministro do Líbano promete reformas e acordo com FMI


31/08/2020 15:55

As autoridades políticas libanesas designaram, nesta segunda-feira (31), um novo primeiro-ministro, o embaixador na Alemanha Mustapha Adib, sob pressão do presidente francês Emmanuel Macron, que é esperado esta noite em Beirute.

Adib, um acadêmico de 48 anos relativamente desconhecido, foi nomeado pela maioria dos parlamentares após consultas realizadas no palácio presidencial.

Imediatamente após sua nomeação, o novo primeiro-ministro se dirigiu para um dos bairros devastados pela explosão no porto de Beirute em 4 de agosto, onde declarou que deseja "a confiança" da população.

"Agora é hora de agir", afirmou o novo primeiro-ministro, prometendo formar rapidamente uma equipe de especialistas e pessoas competentes para "conduzir reformas imediatamente".

"A tarefa que aceitei baseia-se no fato de que todas as forças políticas (...) estão cientes da necessidade de formar um governo em tempo recorde e de começar a implementar reformas, a partir de um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI)", expressou Adib em um discurso televisionado.

Em um comunicado, o FMI comemorou com moderação sua nomeação, e reiterou seu desejo de que as autoridades libanesas respondam à pandemia no país.

Por sua vez, o Banco Mundial (BM) destacou que a explosão causou prejuízos e destruição estimados em US$ 6,7 bilhões e US$ 8,1 bilhões. O país precisava urgentemente de US$ 605 milhões a US$ 760 milhões para sair da situação, acrescentou a instituição.

- "Fonte de todos os males" -

Mustapha Adib, um professor universitário relativamente desconhecido pela opinião pública, foi escolhido no domingo à noite pelos pesos-pesados da comunidade sunita, da qual o chefe de governo deve vir.

A presidência está reservada para um cristão maronita e a presidência do parlamento para um muçulmano xiita.

O presidente do país, Michel Aoun, reconheceu na véspera em um discurso em ocasião do centenário do Líbano, comemorado na terça-feira, que é necessário mudar o sistema político, e pediu um "Estado laico".

No mesmo dia, o poderoso chefe do Hezbollah, Hassan Nasrallah, disse estar disposto a negociar um novo "pacto político" no Líbano, onde comunidades religiosas compartilham o poder.

Da mesma forma, Nabih Berri, presidente do Parlamento e chefe do movimento libanês xiita Amal, pediu nesta segunda-feira para "mudar o sistema sectário" que governa a política no Líbano, "a fonte de todos os males" segundo ele.

Mas o professor universitário, próximo do ex-primeiro-ministro e bilionário Najib Mikati, de quem era chefe de gabinete, deve ser rejeitado pelo movimento de contestação popular.

- "O luxo do tempo" -

Hassan Sinno, integrante de um grupo da sociedade civil, advertiu que seu movimento rejeitaria qualquer candidato do sistema.

"Não daremos tempo, como alguns de nós erroneamente deram a Hassan Diab, para ter sucesso. Não temos mais o luxo do tempo", disse à AFP.

O ex-primeiro-ministro Hassan Diab, indicado pelos partidos governantes, renunciou em 10 de agosto após a explosão que deixou pelo menos 188 mortos e devastou bairros inteiros da capital.

A tragédia, decorrente da presença de uma enorme quantidade de nitrato de amônio no porto de Beirute, fato de conhecimento das autoridades, alimentou a ira da população, que acusa a classe política de negligência e corrupção.

Adib obteve a aprovação das principais bancadas parlamentares. Apenas o partido cristão das Forças Libanesas, que se posicionou na oposição desde o levante popular em outubro de 2019, apoiou o independente Nawaf Salam, um ex-embaixador na ONU.

Macron, que visita o país pela segunda vez desde a explosão, solicitou os dirigentes libaneses a nomearem rapidamente um "governo de missão" para tirar o país da crise econômica e política.


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