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Estado de Minas

Israel negocia em segredo normalização das relações com países árabes


30/08/2020 14:25

Israel mantém negociações secretas com líderes árabes e muçulmanos a respeito da normalização de suas relações - afirmou neste domingo (30) o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, às vésperas do "primeiro voo comercial direto" entre o Estado hebreu e os Emirados Árabes Unidos.

Desde o anúncio de 13 de agosto, por parte de Washington, da normalização das relações entre Israel e os Emirados, que mantêm laços informais há anos, os telefonemas entre os ministros aumentaram, e vieram seus primeiros contratos comerciais.

Já no sábado, Abu Dhabi revogou uma lei de 1972 que instituía um boicote ao Estado hebraico.

Em viagem pelo Oriente Médio na semana passada, com passagem por Sudão, Bahrein e Omã, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, tentou convencer outros países da região a seguirem o exemplo dos Emirados.

Enquanto isso, nos últimos meses, Netanyahu já havia falado com líderes do Sudão, do Chade e de Omã.

"Estas são as reuniões conhecidas. Mas há muito mais reuniões não midiáticas com líderes árabes e muçulmanos para normalizar suas relações com o Estado de Israel", disse o premiê neste domingo, ao revelar os países envolvidos nessas conversas.

"Os avanços de hoje serão o padrão de amanhã. Eles abrirão o caminho para outros países normalizarem suas relações com Israel", acrescentou Netanyahu, junto com o conselheiro sênior da Casa Branca Jared Kushner - genro do presidente Donald Trump - e com o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Robert O'Brien.

- Esperar para "sempre" -

Até agora, a paz com os palestinos era considerada um precondição para qualquer normalização das relações entre Israel e o mundo árabe e muçulmano.

Nos últimos anos, contudo, o Estado hebraico tentou inverter essa equação para convencer os países árabes a normalizar suas relações, sem esperar a assinatura de paz com os palestinos. Estes últimos criticaram o acordo entre Israel e os Emirados, o qual descreveram como uma "traição" de Abu Dhabi.

"Se fôssemos esperar pelos palestinos, esperaríamos para sempre", disse Netanyahu.

Ao seu lado, Jared Kushner descreveu o acordo com os Emirados como "um passo gigante" e disse que "nunca foi tão otimista em relação à paz" no Oriente Médio quanto agora, apesar da recusa dos líderes palestinos a retomarem as negociações com Israel com base no plano Trump.

Anunciado em janeiro passado, este projeto, descrito neste domingo como "uma oferta amigável e realista" por Kushner, prevê a criação de um Estado palestino, mas em um território reduzido e descontínuo na Cisjordânia ocupada, parte da qual (cerca de 30%) seria anexada por Israel.

Como prova da vontade de avançar rapidamente para a normalização com Abu Dhabi, uma delegação americano-israelense embarca na segunda-feira de manhã no "primeiro voo comercial direto" entre Israel e os Emirados.

O voo LY971, da empresa israelense El-Al, cujo avião está inscrito com as palavras "Peace, salam, shalom", decolará do aeroporto Ben-Gurion de Tel Aviv com destino a Abu Dhabi, levando funcionários de alto escalão do governo dos EUA e de Israel. Entre eles, o chefe do Conselho israelense de Segurança Nacional, Meir Ben-Shabbat, e uma delegação dos EUA liderada por Kushner.


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