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Estado de Minas

Manobras europeias no Mediterrâneo Oriental em meio a tensões greco-turcas


26/08/2020 10:13

Grécia, França, Itália e Chipre, países-membros da União Europeia, começaram nesta quarta-feira (26) manobras militares conjuntas no Mediterrâneo Oriental, onde as tensões greco-turcas se agravaram recentemente devido à delimitação de áreas marítimas ricas em hidrocarbonetos.

"Chipre, Grécia, França e Itália concordaram em implementar uma presença conjunta no Mediterrâneo Oriental dentro da Iniciativa Quadripartite de Cooperação (SQAD)", informou o Ministério da Defesa grego.

Os exercícios ocorrerão até sexta-feira no leste do Mediterrâneo, ao sul e sudoeste do Chipre, segundo uma fonte militar.

A França alertou nesta quarta-feira a Turquia que o Mediterrâneo Oriental não pode servir como "um campo de jogo" para as ambições nacionais.

Em resposta, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, alertou que a Turquia "não fará nenhuma concessão" em defesa de seus interesses gasíferos no Mediterrâneo Oriental e pediu à Grécia que evite cometer qualquer "erro" que a leve à sua "ruína".

O ministério grego, por sua vez, afirmou que "as tensões e a instabilidade no Mediterrâneo Oriental aumentaram as disputas sobre questões relacionadas ao espaço marítimo".

A descoberta, nos últimos anos, de importantes campos de gás no Mediterrâneo Oriental gerou fortes tensões entre Ancara e Atenas, que disputam algumas áreas marítimas.

- Esforços diplomáticos -

Neste contexto de tensões, a Alemanha, que ocupa a presidência semestral rotativa da União Europeia, defendeu na terça-feira em Atenas e Ancara o "diálogo" e a "desescalada".

"Ninguém quer resolver esta disputa militarmente", declarou o chefe da diplomacia alemã, Heiko Maas, destacando que "existe uma vontade de diálogo de ambas as partes".

Desde 10 de agosto, a Turquia implantou o navio sísmico "Oruç Reis" na área acompanhado de forças navais, provocando a ira da Grécia, que respondeu enviando navios de sua Marinha.

De acordo com o ministério grego, essa iniciativa quadripartite "contribuirá para uma presença aeronáutica militar reforçada na região, com base no entendimento recíproco, no diálogo e na cooperação".

A primeira etapa desta iniciativa comum, denominada "Evnomia", é a concentração de meios aéreos e navais, bem como tropas desses quatro países no sudeste do Mediterrâneo.

Essas manobras demonstram "o compromisso coletivo e absoluto de quatro países europeus para a aplicação do direito do mar (UNCLOS) e do direito internacional vigente", destaca o texto.

O Ministério grego afirma que "a via diplomática continua sendo o meio privilegiado para solucionar as questões a nível bilateral e europeu simultaneamente, uma vez que o diálogo pode levar ao abrandamento das tensões na região", de acordo com o mesmo comunicado.

Para Atenas, a implantação do "Oruc Reis" com o objetivo de explorar petróleo ao largo da pequena ilha grega de Kastellorizo, no mar Egeu e "na plataforma continental grega", é "uma violação à sua soberania".

O ministro das Relações Exteriores grego, Nikos Dendias, disse estar "disposto ao diálogo", mas não "sob um regime de ameaças".

Seu colega turco, Mevlut Cavusoglu, respondeu que Ancara "está pronta para um diálogo sem condições prévias, para chegar a uma troca justa".

A disputa greco-turca estará na pauta de uma reunião dos ministros das Relações Exteriores da UE, na quinta e sexta-feira em Berlim.


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