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Estado de Minas

Turquia se diz disposta a dialogar com a Grécia 'sem condições prévias'


25/08/2020 19:19

A Turquia disse nesta terça-feira (25) que está disposta a conversar com a Grécia diante das crescentes tensões sobre a exploração de hidrocarbonetos no Mediterrâneo Oriental, sem pré-condições.

"Estamos prontos para abrir negociações para um acordo justo, mas sem pré-condições. Não pode haver pré-condições por parte da Grécia", explicou o chanceler turco após uma entrevista com seu homólogo alemão, Heiko Maas.

A situação entre os dois países está em um ponto "muito crítico", alertou o ministro alemão. "Ninguém quer resolver essa disputa por meios militares", garantiu à imprensa.

"Ambas as partes estão dispostas a dialogar", acrescentou.

A Alemanha, que atualmente ocupa a presidência da União Europeia, tenta fazer a mediação entre os dois países, aliados dentro da Otan.

Nos últimos anos, houve várias descobertas de depósitos de hidrocarbonetos no Mediterrâneo oriental, onde a Grécia e a Turquia têm uma vizinhança instável.

O chanceler alemão visitou primeiro Atenas e depois Istambul na terça-feira, no mesmo dia em que os dois países organizavam, respectivamente, exercícios militares na região.

Cavusoglu disse que, a pedido da Alemanha, a Turquia suspendeu temporariamente suas atividades de exploração em julho, como um "gesto" para facilitar o diálogo.

Para o ministro, a assinatura entre o Egito e a Grécia de um acordo delimitando suas respectivas fronteiras marítimas mostrou que Atenas "não era sincera".

"Gostaria de aconselhar a Grécia a deixar de ser uma criança mimada", advertiu Cavusoglu.

"Eles não conseguirão nada com o apoio da UE. A Turquia está pronta para fazer o que for preciso sem hesitação".

A Turquia havia decidido neste domingo estender a presença de seu navio de exploração Oruç Reis em uma área reivindicada por Atenas até 27 de agosto, levando ao anúncio, primeiro pela Grécia e depois pela Turquia, de exercícios militares.

"As portas do diálogo entre Grécia e Turquia devem estar bem abertas, e não fechadas", havia declarado em Berlim nesta terça-feira Maas, pouco antes de viajar a Atenas.

"Em vez de novas provocações, definitivamente precisamos de medidas de distensão e começar negociações diretas", acrescentou o ministro.

A Alemanha, que ocupa a presidência semestral do Conselho da União Europeia (UE), considera que o problema entre Turquia e Grécia, ambos países-membros da Otan, "apenas provoca prejuízos a todos, mas em particular aos diretamente envolvidos no assunto", disse Maas.

O chefe da diplomacia alemã se reuniu com o colega grego, Nikos Diendas, e com o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis. Todos insistiram na "necessidade de uma desescalada".

A UE, por meio do chefe da diplomacia do bloco, Josep Borrell, pediu a Ancara que interrompa "imediatamente" a busca por reservas de gás no Mediterrâneo e prevê abordar o tema, que afeta diretamente Grécia e Chipre - membros do bloco - em 27 e 28 de agosto em Berlim.

Por temer ficar de fora da divisão das grandes reservas de gás natural da região, Ancara envio em 10 de agosto navios a uma zona reclamada pela Grécia, o que provocou tensões com Atenas e preocupação na Europa.

- Manobras militares rivais -

Tanto Ancara quanto Atenas anunciaram que a partir desta terça-feira farão exercícios militares no leste do Mediterrâneo.

Quanto à Grécia, trata-se de um "exercício aeronáutico ao largo dos litorais das ilhas de Creta, Karpathos e Kastellorizo", com a participação exclusiva de aviões gregos, disse terça-feira uma fonte militar à AFP.

Uma manobra de treinamento acontecerá em seguida com a aviação dos Emirados Árabes Unidos, enquanto houve outra na segunda-feira no sul de Creta pelas forças gregas e americanas, segundo a fonte.

Em relação à Turquia, o Ministério da Defesa anunciou neste dia o lançamento de "exercícios militares de transição", com a participação de "navios turcos e aliados", a sul da ilha de Creta.

A pequena ilha grega de Kastellorizo, localizada a apenas dois quilômetros da costa turca, cristaliza a raiva de Ancara.

Para Atenas, as águas que circundam a ilha estão sob soberania grega, mas o governo turco considera que esta posição priva a Turquia de dezenas de milhares de km2 de mar rico em campos de gás.

A Grécia tem por objetivo "a delimitação das zonas marítimas desta região", ressaltou nesta terça-feira de manhã o porta-voz Stelios Petsas à rede de televisão pública Ert.


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