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Estado de Minas

Sudão não poderá normalizar relações com Israel até fim da transição em 2022


25/08/2020 12:07

O governo de transição do Sudão não tem mandato para normalizar as relações com Israel, sendo necessário esperar até o fim da transição, previsto para 2022 - disse o primeiro-ministro sudanês, Abdallah Hamdok, ao secretário de Estado americano, Mike Pompeo.

"A fase de transição no Sudão está dirigida por uma ampla coalizão com uma agenda específica que pretende terminar o processo de transição e instaurar a paz e a estabilidade até as eleições livres (em 2022). O governo de transição não tem mandato para além destas tarefas para decidir a normalização com Israel", declarou Hamdok, citado pelo porta-voz do governo.

No encontro com Pompeo, Hamdok insistiu em que os Estados Unidos têm de "separar a saída do Sudão da lista de países que apoiam o terrorismo da questão da normalização com Israel".

O secretário americano chegou ao Sudão nesta terça-feira (25), como parte de uma viagem regional para convencer outros países árabes a normalizarem suas relações com Israel, seguindo os passos dos Emirados Árabes Unidos.

É a primeira visita em 15 anos de um chefe da diplomacia norte-americana a este país, desde a de Condoleezza Rice em 2005, e acontece em condições de segurança reforçada.

É também uma viagem simbólica, já que Pompeo decolou de Israel para o Sudão no "primeiro voo oficial direto" entre Tel Aviv e Cartum. Estes dois países não mantêm relações diplomáticas formais, já que ambos se encontram tecnicamente em estado de guerra.

Durante os 30 anos de Omar al-Bashir no poder, o Sudão acolheu islamistas radicais, em especial Osama bin Laden, que viveu no país de 1993 a 1996 até se instalar no Afeganistão. Por esse motivo, os Estados Unidos impuseram sanções ao Sudão a partir dos anos 1990.

Os contatos entre Washington e Cartum foram-se degradando e, em 1997, suas relações diplomáticas se reduziram ao nível de encarregado de negócios.

A queda de Al-Bashir mudou a situação. Formado em setembro de 2019 após manifestações populares que derrubaram o então presidente, o governo de transição decidiu se aproximar dos Estados Unidos e agir, de modo que o Sudão seja removido da lista de países que apoiam o terrorismo.

No início de agosto, as autoridades sudanesas disseram estarem "prontas para continuar trabalhando com o governo americano, para favorecer um clima que ajude a retirar o nome do Sudão da lista de países que apoiam o terrorismo e a entrar em uma associação [com os Estados Unidos] que beneficiará os dois países".

- Difícil tarefa -

A tarefa não será fácil. A coalizão de partidos e da sociedade civil, que dirigiu o protesto que derrubou Al-Bashir, lembrou hoje mais cedo que o governo não tem mandato para normalizar as relações entre Sudão e Israel.

"O governo atual é um governo de transição que governa em virtude de um documento constitucional que não tem mandato" sobre a questão da normalização das relações com Israel, afirmaram, em um comunicado, as Forças da Liberdade e da Mudança (FLC), destacando "o direito dos palestinos a sua terra e a uma vida livre e digna".

Ao fim de um encontro em fevereiro deste ano com o general Burhan em Uganda, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que foi acordado "iniciar uma cooperação que normalizará as relações entre os dois países".

Depois disso, o governo sudanês desmentiu que a questão da "normalização" tenha sido abordada.

O porta-voz do Ministério sudanês das Relações Exteriores, Haider Badawi, que surpreendeu em 18 de agosto ao admitir implicitamente contatos entre seu país e Israel, foi destituído no dia seguinte pelo chanceler, que negou suas declarações.

Já Netanyahu celebrou as palavras de Badawi: "Israel, Sudão e qualquer região vão-se beneficiar do acordo de paz e vão construir juntos um futuro melhor para todos os povos da região".

As sanções americanas bloqueiam, porém, qualquer investimento neste país que atravessa uma profunda crise econômica.

A inflação alcança 143% em ritmo anual, e a moeda não para de se desvalorizar frente ao dólar, em um contexto econômico mundial deteriorado pela pandemia de novo coronavírus.


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