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Estado de Minas

Opositor russo apresenta 'sinais de envenenamento', afirma hospital alemão


24/08/2020 14:19

O opositor russo Alexei Navalny, hospitalizado em estado de coma em Berlim, apresenta "sinais de envenenamento", anunciou nesta segunda-feira (24) o hospital Charité de Berlim, no qual está internado, depois de o próprio governo alemão considerar algo "bastante provável".

Navalny foi transferido para Berlim na manhã de sábado em um avião particular fretado por uma ONG alemã, após um dia de intenso embate entre sua família e os médicos russos, que inicialmente indicaram que sua condição era muito instável para viajar, mas que acabaram cedendo e autorizaram a transferência.

"Os resultados clínicos indicam intoxicação por uma substância do grupo de inibidores da colinesterase", apontou o Hospital Charité em comunicado.

O veneno específico "ainda não foi identificado e uma nova análise em grande escala foi lançada", alertou.

Sem ter esperado que o hospital comunicasse sobre o estado de saúde de Navalny, o governo alemão adiantou suas suspeitas.

"Trata-se de um paciente que de maneira bastante provável foi vítima de um ataque com veneno", declarou à imprensa Steffen Seibert, porta-voz do gabinete da chanceler, Angela Merkel.

Advogado, de 44 anos, Navalny tornou-se o principal opositor do Kremlin, e suas publicações sobre a corrupção das elites russas recebem bastante visualizações nas redes sociais.

- "Desfecho incerto" -

"O desfecho da doença permanece incerto e, nesta etapa, não podemos descartar sequelas a longo prazo, em particular no sistema nervoso", ressaltou o estabelecimento.

O opositor "encontra-se em uma unidade de cuidados intensivos e ainda está em coma induzido", ressaltou o hospital, "seu estado de saúde é grave, mas atualmente não há risco" de morte. Os médicos alemães examinaram o paciente "profundamente".

"A suspeita não abrange o fato de Navalny ter se envenenado, e sim que alguém envenenou Navalny e o governo alemão leva a suspeita muito a sério", disse o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, ao justificar a proteção policial oferecida a ele no hospital de Berlim.

O chefe da diplomacia alemã, Heiko Maas, entretanto, se mostrou mais cauteloso.

"No caso de Navalny, ainda faltam muitos fatos, de natureza médica, mas também criminológica, o que é de se esperar", disse o ministro durante viagem a Kiev.

O opositor vem sendo tratado com um antídoto, segundo o hospital.

A equipe do ativista mantêm o posicionamento de que ele foi vítima de um "envenenamento intencional".

- "Nenhuma pressão" -

Os médicos russos do hospital de Omsk, na Sibéria, onde Navalny permaneceu internado antes de ser transferido para a Alemanha após árduas discussões, afirmaram nesta segunda-feira que não sofreram nenhuma pressão externa ou interferência oficial.

"Não entramos em acordo sobre o diagnóstico com ninguém. Ninguém de fora exerceu qualquer pressão contra nós, nem da parte dos médicos ou de outras forças", disse Alexander Murakhovski, médico chefe do hospital de Omsk, em uma entrevista coletiva virtual.

"Com grandes esforços, salvamos a vida dele", completou.

Anatoli Kalinishenko, outro diretor do hospital de Omsk, afirmou que, de acordo com dois laboratórios, em Omsk e Moscou, "nenhuma substância que pode ser considerada como veneno (...) foi identificada" no organismo de Navalny.

A equipe do ativista suspeita que o atraso na autorização de transferência deu tempo para a dissolução da possível substância tóxica, o que impediria sua detecção.

"Há alguns exemplos (de envenenamento) na história recente da Rússia, e o mundo leva muito a sério essa suspeita", ressaltou o porta-voz Seibert.

Já ocorreram dois casos de envenenamento contra ex-agentes secretos russos altamente comentados no Reino Unido, respectivamente em 2018 e 2006.

Navalny já foi vítima de vários ataques físicos. Em 2017, o opositor foi pulverizado nos olhos com um produto anti-séptico ao sair do seu escritório em Moscou.

E em julho de 2019, enquanto cumpria uma curta pena na prisão, repentinamente sofreu uma erupção cutânea no torso e relatou que havia sido envenenado. As autoridades explicaram que ele teve "uma reação alérgica".


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