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Estado de Minas

Kamala Harris, uma injeção de entusiasmo ao voto latino


19/08/2020 09:07

"Diga-me com quem andas e te direi quem és", afirma um anúncio da campanha de Joe Biden, o primeiro em espanhol e inglês desde que o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos anunciou Kamala Harris como sua companheira de chapa. "Uma aliada, uma defensora da comunidade latina".

Como uma mulher não branca, filha imigrantes, Kamala Harris leva para a campanha uma forte dose de emoção e entusiasmo que ajudará a mobilizar o voto dos hispânicos, majoritariamente contrários ao presidente Donald Trump.

Os latinos serão pela primeira vez a principal minoria étnica em uma eleição presidencial, com uma projeção recorde de 32 milhões de eleitores, 13,3% do total, segundo o instituto Pew.

Nas eleições de 2018, quando o Partido Republicano de Trump perdeu o controle da Câmara de Representantes, 69% dos latinos votaram em candidatos democratas.

Christine Marie Sierra, professora emérita de Ciências Políticas da Universidade do Novo México, explica à AFP que a tendência a favor do partido de oposição persistirá, mas afirma que a entrada de Harris na chapa "pode mudar o nível de entusiasmo, o que se traduz em maiores índices de votação e possíveis vitórias em eleições acirradas".

"Harris representa uma história de imigrantes, filha de uma indiana e um jamaicano, e isso gerou muita emoção entre as comunidades de imigrantes", completou.

Uma pesquisa da 'Latino Decisions' mostra que 59% dos eleitores latinos entrevistados em estados chave nas eleições ficaram entusiasmados com a indicação de Harris como candidata a vide de Biden. Além disso, 52% afirmaram que sua presença os deixou mais propensos a votar no ex-vice-presidente de 77 anos.

"A escolha de Harris é uma oportunidade para que Biden capitalize o voto latino e mobilize os jovens eleitores latinos", escreveu Anais López, analista da 'Latino Decisions'.

Kamaka Harris -que seria a primeira mulher e a primeira pessoa não branca a ocupar a vice-presidência em caso de vitória de Biden na eleição de 3 de novembro - será a principal oradora desta quarta-feira na convenção democrata, precedida pelo ex-presidente Barack Obama.

- Passado de migração -

Criticado pela gestão da pandemia e abalado pela crise econômica, Trump voltou a apelar ao discurso antimigração para motivar sua base e tentar a reeleição.

"Ele não vê os imigrantes como humanos", critica Juan Escalante, um ativista venezuelano protegido pelo DACA, programa criado por Obama - que permitia estudos e trabalho a centenas de milhares de pessoas que chegaram sem documentos ao país quando ainda eram crianças com os pais - e foi eliminado Trump.

Biden enfrenta perguntas por seu histórico sobre imigração quando era vice-presidente de um governo que deportou quase três milhões de pessoas sem documentos.

"Seu histórico de imigração talvez não seja o melhor, mas ele está tentando encontrar soluções reais para erros do passado", disse Escalante, um cientista político.

Biden, um moderado, prometeu restabelecer o DACA, apresentar uma legislação no Congresso para legalizar 11 milhões de imigrantes sem documentos e reverter as políticas de asilo de Trump.

- TPS para Venezuela -

Em 2016, Trump obteve 30% do voto latino, entre os cubano-americanos, que tendem a apoiar os republicanos, mas também dos veteranos de guerra e dos evangélicos centro-americanos.

E a Flórida concentra boa parte dos eleitores hesitantes a apoiar os democratas.

Christian Ulvert, estrategista do Partido Democrata com base em Miami, explica que a formação está conquistando os descendentes de cubanos mais jovens, assim como a comunidade colombiana e porto-riquenha.

Com muitos indecisos, o partido quer fazer uma campanha "agressiva", na qual Harris "aporta um grande valor", disse à AFP.

Outro tema que passa pela Flórida é a Venezuela e a relação de um possível governo Biden-Harris com Nicolás Maduro, chamado por Trump de ditador e objeto de várias sanções.

Harris já afirmou que Maduro "é um ditador repressivo e corrupto" e prometeu estimular um estatuto de proteção (TPS) para os venezolanos.

Mas se declara contrária a uma intervenção militar que os venezuelanos mais radicais exigem... muitos deles em Miami, convencidos de que Trump, de fato, irá à guerra.


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