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Estado de Minas tragédia no Líbano

Explosão e mortes

Pelo menos 73 pessoas morrem e 3.700 ficam feridas após incêndio atingir armazém com produtos inflamáveis em porto de Beirute. Governo apura se houve acidente ou atentado


05/08/2020 04:00 - atualizado 04/08/2020 23:10

Houve uma sequência de deflagrações explosivas que devastaram a região portuária e foram ouvidas a 200 quilômetros da cidade(foto: afp)
Houve uma sequência de deflagrações explosivas que devastaram a região portuária e foram ouvidas a 200 quilômetros da cidade (foto: afp)

 

Duas fortes explosões sucessivas na região portuária da capital do Líbano, Beirute, deixaram ao menos 73 mortos e 3.700 feridos, semeando o pânico e provocando uma imensa coluna de fumaça. Segundo fonte do Ministério da Saúde local, o balanço é provisório e pode subir ainda mais, uma vez que os hospitais locais estão saturados pelo fluxo de feridos.

 

Oficialmente, confirmou-se que 2.750 toneladas de nitrato de amônia provocaram o desastre. A substância é usada na composição de certos tipos de fertilizantes, mas também na criação de explosivos. Segundo a agência de notícias estatal, a fonte da explosão foi um incêndio em um armazém com produtos inflamáveis confiscados nas proximidades do porto, mas as causas não foram inicialmente esclarecidas – incluindo a hipótese de ter sido acidental ou ligado a um possível atentado. "Os fatos sobre este armazém perigoso que existe desde 2014 serão anunciados e eu não irei antecipar as investigações", disse o primeiro-ministro Hassan Diab.

 

Muitas pessoas feridas foram socorridas entre os escombros: governo promete punir responsáveis(foto: afp)
Muitas pessoas feridas foram socorridas entre os escombros: governo promete punir responsáveis (foto: afp)

 

Beirute foi declarada "zona de desastre", anunciou o Conselho Superior de Defesa Libanês. "É uma catástrofe em todos os sentidos do termo", lamentou mais cedo o ministro da Saúde, Hamad Hassan, em declarações a várias emissoras de televisão após visitar um hospital que recebia as vítimas.

 

As explosões foram ouvidas em vários bairros da cidade e fora dela. No Chipre, uma ilha mediterrânea situada a 180 quilômetros a noroeste de Beirute, os moradores relataram ter sentido o impacto. Um morador da capital, Nicósia, disse que sua casa tremia, sacudindo persianas.

 

O primeiro-ministro Diab, em um duro pronunciamento na TV, disse que aqueles responsáveis pelas explosões "vão pagar o preço". "Eu prometo a vocês que essa catástrofe não ficará sem que seus responsáveis sejam punidos. Eles pagarão o preço".

 

Prédios comerciais e apartamentos tiveram as fachadas inteiramente danificadas com o impacto(foto: afp)
Prédios comerciais e apartamentos tiveram as fachadas inteiramente danificadas com o impacto (foto: afp)

 

'COGUMELO' Vídeos transmitidos nas redes sociais mostraram uma primeira explosão, seguida por uma segunda que causou uma gigantesca nuvem de fumaça. As deflagrações sacudiram os edifícios vizinhos e fizeram com que vidros se quebrassem em um raio de vários quilômetros de distância. Hospitais da cidade ficaram lotados e chegaram a recusar feridos por falta de capacidade para atendimento. Nas redes sociais, moradores relataram que janelas de edifícios e vitrines de lojas se estilhaçaram.

 

Nas proximidades do distrito portuário, os danos e a destruição foram enormes. Muitos residentes feridos andavam nas ruas em direção a hospitais e carros foram abandonados com os airbags inflados. Havia muitas pessoas presas em escombros, algumas cobertas de sangue.

 

"Vimos um pouco de fumaça e depois uma explosão. E, então, um cogumelo (de fumaça). A força das explosões nos arremessou para dentro do apartamento", contou um morador do Bairro Manssouriyeh, que viu tudo de sua varanda, a vários quilômetros dali.

 

A causa

2.750 toneladas de nitrato de amônia provocaram o desastre

 

Brasileira diz que parecia “terremoto”

 

As explosões na região portuária de Beirute pareceram "um terremoto", contou a brasileira Catharina Ghoussein, de 23 anos. Moradora de um bairro localizado a cerca de sete quilômetros de distância do porto, no subúrbio da cidade, Catharina estava na sala de casa quando sentiu os tremores. "Minha mãe acordou e começou a ficar desesperada. Ouvimos um barulho que parecia de avião, achei que Israel tinha atacado o país", conta.

 

Muitas casas do bairro tiveram vidros e portas quebrados. "Saímos para o balcão para ver a situação dos nossos vizinhos e tinha muita gente na rua. Os animais (de estimação) estavam todos estressados".

 

Hospitais da cidade ficaram lotados e chegaram a recusar feridos por falta de capacidade para atendimento. "A situação está bem tensa, muita gente em Beirute está sem casa e tem muitos feridos", descreveu Catharina. "Os hospitais estão ficando saturados de pessoas machucadas".

 

Para ela, a explosão deve ter grandes consequências nos próximos dias. "O país já estava em uma crise econômica horrível, e toda a comida e os alimentos básicos vinham do porto de Beirute", diz. "Com essa explosão, tudo vai piorar. Muita gente vai passar fome".

 

O Líbano vive um colapso econômico – segundo o Banco Mundial, mais da metade da população do país vive hoje abaixo da linha da pobreza. O governo do país declarou dia de luto nacional 5, e adiou o lockdown que se iniciaria amanhã.

 

 

Daqui para o futuro
Atentado vai a júri

Na sexta-feira, o Tribunal Especial do Líbano (STL), com sede na Holanda, deve emitir seu veredicto no julgamento de quatro homens, todos suspeitos de serem membros do Hezbollah, acusados de participar do assassinato do ex-primeiro-ministro Rafiq Hariri. Em 14 de fevereiro de 2005, um atentado com uma caminhonete carregada de explosivos atingiu o comboio de Hariri, matando-o com outras 21 pessoas e ferindo mais de 200. A explosão causou chamas de vários metros de altura, quebrando as janelas dos prédios em um raio de meio quilômetro.

 

Militares do Brasil não são atingidos

 

Militares brasileiros que compõem a Força-Tarefa Marítima (FTM), em missão no Líbano, "estão bem e não há feridos", segundo comunicado oficial. "A Marinha do Brasil (MB) informa, com relação à explosão ocorrida em Beirute, que todos os militares componentes da Força-Tarefa Marítima (FTM) da MB estão bem e não há feridos", diz o texto divulgado pela assessoria de imprensa da Marinha.

 

A FTM faz parte da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil), que tem por missão monitorar a cessação de hostilidades e o respeito à Blue Line – a fronteira entre a República do Líbano e o Estado de Israel –, além de apoiar o governo libanês na região do Sul do país.

 

"A Fragata Independência encontra-se operando no mar, normalmente. O navio estava distante do local onde ocorreu a explosão", afirma outro trecho da nota da Marinha.

 

Já soldados da missão da ONU no Líbano (Finul), cujo navio estava ancorado no porto de Beirute, ficaram gravemente feridos. Os marinheiros atingidos, "alguns dos quais gravemente", foram levados para "os hospitais mais próximos". Não foram dadas informações sobre sua identidade e nacionalidade. "Estamos com o povo e o governo libanês (...) e dispostos a dar assistência", acrescentou a Finul, força multinacional de manutenção da paz presente no Líbano desde 1978.

 

 

 


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