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Estado de Minas

Site promove compositoras para redescobrir 'casamento musical'


02/08/2020 13:25

De Francesca Caccini no século XVII à Camille Pépin no XXI. Uma plataforma digital repercutiu as obras de mais de 700 compositoras para redescobrir artistas que estão sumidas há muito tempo.

Apelidada de "Demandez à Clara" (Pergunte a Clara), em referência a Clara Schumann --brilhante pianista, compositora e esposa do famoso compositor - esta base de datos gratuita foi lançada em junho por uma equipe liderada por Claire Bodin, diretora do festival "Presenças femininas", dedicado às compositoras do passado e do presente.

"Desde a infância, não ouvimos música de compositoras, ou ouvimos em tão poucas ocasiões que nem lembramos", disse Bodin à AFP.

"Nenhum 'casamento' foi transmitido por nossos músicos e músicas; aceitamos a ideia da genialidade do grande compositor, sempre um homem, sem nunca perguntar pelo repertório das compositoras", explica.

Esta ferramenta, financiada pela Associação de Autores, Compositores e Editores de Música (Sacem), repercutiu 4.662 obras de 770 compositoras de 60 nacionalidades, de 1618 a 2020.

A página (www.presencecompositrices.com) planeja acrescentar mais 4.000 obras neste outono (boreal), entre elas as de Hildegarde de Bingen (1098-1179), santa da Igreja católica e uma das primeiras compositoras conhecidas.

- Enriquecer e não reescrever -

Um projeto de pesquisa de longo prazo que começou em 2006 e ainda não foi realizado porque "é uma questão de moda".

"Não se trata de reescrever a história, mas de enriquecer o repertório", explica Bodin. "Não se trata de programá-las simplesmente porque são mulheres e para ter a consciência limpa, mas porque há um interesse artístico autêntico".

Para esta cravista que abandonou sua carreira para se dedicar a esses projecos, a não programação de compositoras continua sendo um grande obstáculo para a divulgação de suas obras.

Há uma década, ela oferece regularmente conferências sobre este assunto e são poucas as pessoas na plateia que conseguem dar outros nomes além dos "top 5" das compositoras, como Clara Schumann, Fanny Mendelssohn, Lili Boulanger ou as contemporâneas Betsy Jolas y Kaija Saariaho.

"Só se vê a ponta do iceberg, mas mesmo entre os homens há vários compositores que mereciam ser destacados", lembra Bodin.

Previsto para março, o festival "Presenças femininas" foi adiado para 12-20 de outubro. Desde a sua criação, produziu sete obras de compositoras, entre elas uma da jovem Camille Pépin (29 anos), que tornou-se este ano a primeira compositora premiada nas "Vitórias da música clássica".

Entrevistada pela AFP em 2019, Camille Pépin contou que era a única menina nos cursos de composição do Conservatório de Paris. "Mas hoje os professores que encontro e os jovens músicos querem que isso mude. Há preconceitos que resistem, mas estão começando a cair".


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