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Estado de Minas

OMS teme décadas de efeito

Para organização de saúde, reflexos da pandemia serão duradouros. Na Europa, novos focos levam Espanha e Reino Unido a voltarem com medidas restritivas


01/08/2020 04:00



Os efeitos do coronavírus continuarão "sendo sentidos nas próximas décadas". A projeção nada animadora foi feita ontem pelo diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante a quarta reunião do Comitê de Emergência. "Esta pandemia é uma crise de saúde que só se vive uma vez por século e seus efeitos serão sentidos por décadas", frisou.

A doença já matou cerca de 675 mil pessoas e infectou ao menos 17,5 milhões no mundo desde que apareceu na China, em dezembro. O Comitê, composto por 18 membros e 12 conselheiros, pode propor novas recomendações ou revisar algumas. No entanto, não há dúvida de que a situação de emergência internacional continuará em vigor.
 
Em Ibiza, funcionário mede temperatura de turista para entrada em embarcação: várias regiões espanholas tiveram reincidência da doença(foto: JAIME REINA/AFP)
Em Ibiza, funcionário mede temperatura de turista para entrada em embarcação: várias regiões espanholas tiveram reincidência da doença (foto: JAIME REINA/AFP)
 

"Muitas questões científicas foram resolvidas, mas ainda há outras a serem respondidas", ressaltou o diretor da instituição de saúde. "Os primeiros resultados de estudos sorológicos mostram um quadro consistente: a maioria da população permanece suscetível a esse vírus, mesmo em áreas onde ocorreram surtos muito fortes", acrescentou.

Ele cita o exemplo da chamada segunda onda. "Muitos países que acreditavam ter passado pelo pior estão voltando a enfrentar surtos. Alguns que foram menos afetados nas primeiras semanas tiveram aumento de casos e mortes", afirmou.

Reino Unido e Espanha estão entre os quadros graves. Na Inglaterra, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, decidiu adiar o próximo estágio de afrouxamento da quarentena por pelo menos duas semanas devido a um aumento nas taxas de infecção pela COVID-19. "É preciso colocar o pé", declarou.

Cassinos, ginásios de boliche e pistas de patinação, que deveriam reabrir hoje, assim como as salas de exposições, terão de esperar. O mesmo vale para recepções de casamento de até 30 pessoas, que passariam a ser liberadas. E a obrigação de usar máscaras, até agora aplicada às lojas, será estendida a outros locais, como museus, cinemas e pontos de culto religioso.

Estudo semanal publicado ontem pelo Escritório Nacional de Estatística (ONS) do Reino Unido, o terceiro país mais afetado em mortes pela doença (46.084) indica que entre 20 e 26 de julho havia cerca de 0,78 novas infecções por COVID-19 para cada 10 mil habitantes – algo como 4.200 novas infecções por dia. Isso representa aumento em comparação com os 2.800 novos casos diários estimados na semana anterior.

PROPAGAÇÃO 

O número de novos casos diagnosticados aumentou também na Espanha, aponta o balanço do Ministério da Saúde, chegando a uma média de mais de 2 mil casos diários nos últimos sete dias. A taxa era de 1.525 no balanço anterior. As regiões mais afetadas continuam sendo a Catalunha, com mais de 5 mil casos em sete dias, e Aragão, com 2.884. Também se observa um crescimento em Madri (2.074). No total, desde o início da pandemia, a Espanha acumula mais de 288 mil infectados de COVID-19 e 28.445 mortos.

Já a Argentina decidiu frear a flexibilização do confinamento por pelo menos mais duas semanas, devido ao alto número de infecções, que levou o governo a temer saturação do sistema de saúde. O país registrou recorde de 6.377 infecções e 153 mortes em 24 horas na quinta-feira. Com quarentena iniciada em 20 de março e parcialmente relaxada, há registro de 185.360 infecções, com 3.466 mortes.


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