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Estado de Minas

Hong Kong veta 12 candidatos pró-democracia das eleições legislativas


30/07/2020 11:31

Doze candidatos pró-democracia de Hong Kong, incluindo Joshua Wong, não foram autorizados a disputar as eleições legislativas de setembro, uma decisão denunciada pela oposição como um novo golpe às liberdades na região semiautônoma.

Em um comunicado, o governo de Hong Kong anunciou que apoia a decisão de não autorizar as candidaturas, enquanto os opositores destacam um "clima de terror".

Os cidadãos de Hong Kong devem comparecer às urnas em setembro para as eleições do Conselho Legislativo (LegCo, parlamento local), que serão cruciais nove meses depois do triunfo do movimento pró-democracia nas eleições locais.

A ex-colônia britânica registrou em 2019 sua pior crise política desde 1997, quando retornou à soberania chinesa.

"Acabo de ser desqualificado para as eleições ao LegCo, depois de ter sido o grande vencedor das primárias", afirmou no Twitter Joshua Wong, um dos ativistas mais conhecidos de Hong Kong e que foi um dos líderes da chamada "Revolução dos Guarda-Chuvas" de 2014.

Em meados de julho, mais de 600.000 eleitores participaram das primárias organizadas pelos partidos pró-democracia neste território de 7,5 milhões de habitantes.

"Pequim demonstra um desprezo total pela vontade dos cidadãos de Hong Kong, pisa na autonomia da cidade e tenta manter a legislatura de Hong Kong sob seu firme controle", escreveu Wong.

Ele também considerou a medida "a maior repressão contra o movimento pró-democracia da cidade" e afirmou que as autoridades vetaram "quase todos os candidatos pró-democracia, de grupos de jovens progressistas até partidos moderados tradicionais".

Outro opositor, Nathan Law, exilado em Londres também denunciou a "supressão de qualquer forma de resistência em Hong Kong por meio do medo e intimidação".

O último governador britânico de Hong Kong, Chris Patten, denunciou um "escandaloso expurgo político".

"Obviamente agora é ilegal acreditar na democracia (...) É o tipo de comportamento que você poderia esperar em um Estado policial", afirmou em um comunicado.

O Escritório de Ligação, a representação da China em Hong Kong, elogiou a invalidação das candidaturas e afirmou que as opiniões políticas dos ativistas "ultrapassaram a linha do aceitável".

"Como o corpo legislativo de Hong Kong poderia permitir em sua câmara estes delinquentes sem escrúpulos que querem destruir o 'um País, dois sistemas" e a prosperidade de Hong Kong?", questionou a instituição em um comunicado.

Vários candidatos eliminados confirmaram a decisão nas redes sociais, como Gwyneth Ho, Lester Shum, Tiffany Yuen e Fergus Leung.

O Partido Cívico, uma das formações mais conhecidas do movimento pró-democracia, anunciou que não foram autorizadas as candidaturas de quatro de seus integrantes: Alvin Yeung, Dennis Kwok, Kwok Ka-ki e Cheng Tat-hung.

O Conselho Legislativo tem 70 membros designados de acordo com um sistema complexo, que assegura quase sempre a vitória do bloco pró-Pequim.

Apenas 35 deputados são eleitos por voto universal e os demais são designados por entidades vinculadas à linha política de Pequim.

Os movimentos pró-democracia esperavam traduzir em votos o sucesso da mobilização nas ruas no ano passado.

Durante seis meses de 2019, Hong Kong foi cenário de manifestações praticamente diárias para defender as liberdades e denunciar as interferências da China nos temas da região semiautônoma.

A popularidade das reivindicações foi confirmada nas eleições locais de novembro, marcadas pelo triunfo do campo pró-democracia, que controla agora 17 dos 18 distritos do território.

"Está claro que cada vez mais cidadãos de Hong Kong deverão sofrer (...) o terror comunista", denunciou uma confederação de 13 sindicatos estudantis, conhecida como Students Unions of Higher Institutions.


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