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Estado de Minas

Dois manifestantes mortos em confrontos com a polícia em Bagdá


27/07/2020 20:49

Duas pessoas morreram nesta segunda-feira (27), após serem atingidas por bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela polícia durante protestos contra a falta de serviços públicos. São as primeiras mortes em manifestações sob o novo governo iraquiano.

O primeiro-ministro iraquiano, Mustafa al Kazimi, ordenou nesta segunda uma investigação dessas mortes na Praça Tahrir, onde manifestantes queimaram pneus, enquanto outros bloquearam estradas próximas.

"Os jovens que se manifestam exercem um direito legítimo e as forças de segurança não têm nenhuma autorização para atirar, nem uma só bala, em nossos irmãos manifestantes", disse em discurso exibido na televisão.

Recém-chegado ao poder no início de maio, al Kazimi prometeu iniciar um diálogo para responder as reivindicações populares.

O movimento de protesto, iniciado em outubro de 2019 para denunciar a corrupção e exigir empregos, serviços eficientes e a queda do governo, foi ofuscado no início do ano pelo aumento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã que quase terminaram em um conflito aberto no Iraque.

Foi na Praça Tahrir que uma revolta popular sem precedentes começou em outubro, que durou vários meses e deixou mais de 550 mortos, 30.000 feridos e várias dezenas de militantes mortos ou sequestrados.

Os defensores dos direitos humanos acusaram na época a polícia de usar granadas de gás lacrimogêneo do tipo militar, 10 vezes mais poderosas do que em outras partes do mundo, e de mirar diretamente nos rostos dos manifestantes.

Nesta segunda-feira, os dois manifestantes que morreram foram atingidos "na cabeça e no pescoço" pelos projéteis, disseram médicos à AFP.

- Chamado ao protesto -

Seus corpos foram transportados em um cortejo fúnebre na Praça Tahrir por dezenas de pessoas que exigiam "justiça" para as vítimas e lançaram chamados para novos protestos à tarde.

No domingo, protestos foram registrados em Bagdá e em várias cidades do sul do país para denunciar a falta de eletricidade, um serviço público que atualmente é oferecido apenas algumas horas por dia, quando as temperaturas ultrapassaram os 50°C no Iraque na semana passada.

No fim de semana, centenas de manifestantes invadiram o escritório local da companhia pública de eletricidade em Nasiriyah (sul), e outros protestaram diante da sede do governo em Babylon, ao sul de Bagdá, segundo correspondentes da AFP.

Kazimi e seu governo assumiram o poder com o compromisso de esclarecer as mortes da revolta e atos de violência.

Nas redes sociais, muitos internautas acusam o novo governo de reproduzir a repressão de seus antecessores.

Uma caricatura mostra, por exemplo, o ex-primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi, com mãos ensanguentadas, entregando granadas de gás lacrimogêneo a Kazimi. Mahdi foi forçado a renunciar devido à pressão popular.

- Incidentes lamentáveis -

Referindo-se aos confrontos noturnos, o porta-voz militar do chefe de governo falou de "incidentes lamentáveis" pelos quais "uma investigação está em andamento". O porta-voz não mencionou as vítimas.

"Diante das provocações, as forças de segurança tentam não recorrer a meios violentos, a menos que sejam forçados", acrescentou em nota.

A missão da ONU no Iraque elogiou "a vontade do governo de investigar" e pediu "proteção incondicional [...] do direito dos iraquianos de se manifestarem pacificamente".

Embora o movimento de protesto seja um de seus principais desafios, o governo também enfrenta outro: os foguetes que são lançados regularmente desde outubro contra representações dos Estados Unidos no país.

Na noite de segunda-feira, três foguetes atingiram uma base em Taji, norte de Bagdá, que abriga um contingente americano.

Os artefatos atingiram um helicóptero militar iraquiano e uma fábrica de canhões, disse uma fonte de segurança à AFP, que afirmou que os disparos foram realizados em um bairro no sul de Bagdá, onde estão localizadas várias facções pró-Irã.


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