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Estado de Minas

CEDEAO realiza cúpula para tentar resolver crise no Mali


27/07/2020 12:19

Os 15 chefes de Estado da Comunidade Econômica da África Ocidental (CEDEAO) realizaram, nesta segunda-feira (27), uma cúpula virtual sobre a crise política que abala o Mali, com protestos contra o presidente Ibrahim Bubacar Keita.

"A cúpula terminou", disse uma fonte próxima à CEDEAO à AFP no início da tarde. As conclusões devem ser anunciadas hoje.

Os presidentes ouviram o relatório de seu colega nigeriano, Mahamadu Issufu, que liderou uma missão de mediação na semana passada em Bamako, ao lado de líderes da Costa do Marfim, Senegal, Gana e Nigéria.

Após um dia de discussões na capital do Mali, os cinco presidentes da África Ocidental não conseguiram convencer a oposição, liderada pelo influente imã Mahmud Dicko, a aprovar seu plano para acabar com a crise.

Os vizinhos e parceiros do Mali temem que o país, já bastante enfraquecido pela violência, particularmente jihadista, mergulhe no caos.

"No final desta cúpula, acredito que a CEDEAO tomará medidas firmes para acompanhar o Mali", afirmou Issufu na quinta-feira passada.

Em 10 de julho, a terceira grande manifestação da oposição terminou em três dias de tumultos, que deixaram 11 mortes, segundo o primeiro-ministro Bubu Cissé, embora a Missão da ONU no país (MINUSMA) tenha registrado 14 mortes.

A CEDEAO propôs em 19 de julho a formação de um governo de unidade nacional e um novo Tribunal Constitucional "de consenso" para resolver a disputa sobre os resultados das eleições legislativas de março-abril, consideradas o gatilho da crise atual.

A esse clima de exasperação, alimentado há anos pela instabilidade no centro e no norte do país, pela crise econômica e a corrupção endêmicas, foi adicionada a anulação pelo Tribunal Constitucional de cerca de trinta candidaturas.

O movimento M5-RFP, uma coalizão heterogênea integrada por clérigos, opositores políticos e membros da sociedade civil, anunciou em 21 de julho uma "trégua" até o final da grande festa muçulmana do Eid al-Adha, em 31 de julho, especialmente para dar tempo aos esforços diplomáticos.

Mas os jovens do movimento, que lideram os protestos contra o presidente Keita, eleito em 2013 e reeleito em 2018, voltaram a pedir no domingo a renúncia do chefe de Estado e anunciaram a retomada dos protestos a partir de 3 de agosto.

"Após a trégua, nossas ações serão retomadas de maneira harmoniosa e sem violência", disse à AFP Abdurahman Diallo, líder do movimento.

"Também decidimos retomar a desobediência civil em 3 de agosto", disse outra jovem opositora, Mariama Keita.

O imã Dicko, figura central dos protestos, que algumas fontes próximas às discussões consideram disposto a demonstrar flexibilidade, reduziu as esperanças de uma saída rápida da crise depois de se reunir na semana passada com a delegação de cinco chefes de Estado.

A oposição considera a CEDEAO uma espécie de "clube de chefes de Estado".

"Nada mudou no momento", disse Dicko na quinta-feira. "Prefiro morrer como mártir do que morrer como traidor. Os jovens que perderam a vida (durante os protestos) não a perderam por nada", acrescentou.


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