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Estado de Minas

Uma "casinha normal" é o sonho da família que vive em um velho ônibus na Venezuela


23/07/2020 16:25

A carcaça de um velho ônibus amarelo é a casa de Sixto e sua família há três anos. Embora nem sequer os proteja da chuva, é sua única opção em uma crise que desencadeia a pobreza na Venezuela.

O esqueleto metálico "não é habitável porque está muito quente e quando chove, ficamos encharcados", disse Sixto González, 62 anos, à AFP ao descrever o local onde vivem na beira de uma rodovia no estado agrícola Portuguesa, no oeste do país. Eles têm uma cama de solteiro, onde ele e sua esposa María dormem, enquanto o filho adolescente dorme em uma rede.

A renda precária os coloca à margem da extrema pobreza, que em 2019 atingiu 79,3% dos lares venezuelanos, segundo a Pesquisa sobre Condições de Vida (ENCOVI), realizada por três das principais universidades venezuelanas.

Eles sobrevivem do que cultivam em um pequeno jardim e vendem ovos de galinha ao ar livre no quintal, além de caixas de alimentos distribuídas em um programa estadual e pequenos bônus que costumam receber uma vez por mês.

Por esse motivo, ter um lar é um sonho distante para esta família cada vez mais castigada pela pobreza após seis anos consecutivos de recessão e quase quatro anos de hiperinflação.

Procurando uma saída, recorreram a Octavio, um coletor de lixo metálico em Guanare, capital do estado, que lhes deu os restos de um ônibus montado pela empresa mexicana Masa.

Eles colocaram a estrutura enferrujada em uma terra concedida pelo governo à beira de uma estrada que liga Portuguesa ao estado de Barinas, berço do falecido presidente Hugo Chávez (1998-2013).

Sem pneus, está longe de se parecer com um motorhome. Cobriram o chão com cimento e pedras coletadas de um rio próximo e despejaram concreto na área do parabrisa para fazer uma parede.

"Família González Vargas", eles escreveram com um marcador.

"Gostaria de ter uma casinha normal como qualquer outra pessoa, com cozinha, sala de estar, que meu filho tivesse o quarto dele", lamenta María Vargas, esposa de Sixto, que limpa o local com uma vassoura feita de um punhado de arbustos.

Maria folheia uma pasta com "documentos" com os quais ela deu entrada há seis anos na Misión Vivienda, um programa criado em 2011 por Chávez pelo qual, segundo seu herdeiro político, Nicolás Maduro, mais de 3 milhões de casas foram entregues a famílias pobres.

A oposição e os especialistas questionam esse número.

"Eles nunca me deram uma resposta", garante a mulher de 37 anos, que bombeia manualmente a água de uma nascente subterrânea com uma manivela velha.

Sixto, magro e com cabelos acinzentados, mastiga folhas de uma erva medicinal chamada "insulina", na esperança de combater o diabetes.

Embora eles frequentemente vejam os dados oficiais da pandemia do COVID-19 em um aparelho de televisão antigo, eles dizem estar mais preocupados com a doença de Sixto e com a falta de medicamentos para tratá-la, pois acreditam que vivem isolados o suficiente para evitar o novo coronavírus.


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