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Estado de Minas

Para Azevêdo, OMC deve ser mais reativa se quiser sobreviver


23/07/2020 13:13

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevêdo, declarou nesta quinta-feira (23) que a instituição, atacada por Washington e enfrentando "uma enorme pressão", deve ser mais sensível às crises para recuperar sua credibilidade.

"Um conselho que eu daria ao meu sucessor seria: 'Esteja preparado para tudo'", lançou Azevêdo durante sua última entrevista coletiva antes de sua partida, por "razões familiares", no final de agosto, um ano antes do final de seu mandato.

"As coisas podem mudar em um segundo. Pode ser um evento político, um grande desastre, um vírus vindo de quem sabe onde... E, de repente, enfrentamos a maior recessão em tempos de paz da história recente", continuou ele, em um momento em que a pandemia de COVID-19 mergulhou o mundo em crise.

"A OMC, para sobreviver, como qualquer organização internacional hoje em dia, deve ser capaz de reagir com rapidez e eficiência", disse ele, enfatizando que o tempo é um "luxo" que não existe mais.

"As negociações comerciais levam muito tempo, mas temos que ser mais rápidos, temos que ser capazes de reagir", insistiu Azevêdo, que assumiu o comando da organização em 1º de setembro de 2013.

Ele admitiu, no entanto, que o "gendarme" do comércio internacional enfrenta "uma enorme pressão".

Os países europeus, assim como o Canadá e os Estados Unidos, exigem uma refundação da organização, alegando que ela não responde adequadamente às distorções comerciais causadas em particular pela China.

Eles também querem que o mecanismo de negociação da OMC seja revitalizado e exigem maior transparência nas políticas comerciais dos 164 membros da organização.

Além disso, o governo americano de Donald Trump também paralisou o Órgão de Apelação do Mecanismo de Solução de Controvérsias, impedindo a nomeação de novos juízes para o painel de apelações.

Diante dessas múltiplas críticas, Azevêdo alertou: "Não acredito que uma reforma 'Big Bang' seja o caminho a percorrer".

Sorrindo, o brasileiro disse estar "globalmente muito satisfeito" com seus dois mandatos, chegando a atribuir a si mesmo, em tom de humor, a nota "12 de 10".

O processo de seleção do sucessor de Azevêdo está em andamento e deve durar até o outono (primavera no Brasil).

Oito candidatos estão na disputa: o ex-ministro saudita da Economia e Planejamento Mohammed Al-Tuwaijri; o ex-ministro britânico do Comércio Exterior Liam Fox; o egípcio Hamid Mamdouh, um ex-funcionário da OMC; a ex-ministra das Finanças e das Relações Exteriores da Nigéria e presidente da Aliança Mundial para as Vacinas e a Vacinação (Gavi), Ngozi Okonjo Iweala; a ministra do Comércio da Coreia do Sul, Yoo Myung-hee; a ministra dos Esportes do Quênia, Amina Mohamed; o mexicano Jesús Seade Kuri, ex-diretor adjunto da OMC; e o ex-chanceler da Moldávia Tudor Ulianovschi.


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