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Estado de Minas

Primeiro-ministro do Canadá admite que cometeu um 'erro' em contrato com ONG


postado em 13/07/2020 22:01

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, pediu desculpas nesta segunda-feira (13) por não se excluir das discussões sobre um contrato governamental com uma ONG de caridade que pagou grandes quantias de dinheiro à sua família.

"Cometi um erro ao não me excluir imediatamente das discussões, dada a nossa história familiar. E estou sinceramente arrependido", disse em coletiva de imprensa.

O ministro da Fazenda do Canadá, Bill Morneau, também pediu desculpas por ter participado das negociações do contrato, apesar duas de suas filhas colaborem com a ONG, um delas como funcionária.

"Agora eu me dou conta de que não deveria ter feito isso para evitar qualquer percepção de conflito de interesse", escreveu Morneau no Twitter.

O pedido de desculpas ocorreu em meio às denúncias da oposição sobre um contrato milionário concedido pelo governo à organização de desenvolvimento e defesa juvenil WE Charity.

A ONG admitiu ter pago o equivalente a US$ 220.000 à mãe, ao irmão e à esposa de Trudeau por exposições e palestras.

E o próprio Trudeau admitiu ter participado em negociações com a ONG sobre o contrato. Segundo disse, sabia que sua mãe Margaret trabalhava para a WE como advogada em questões de saúde mental.

"Não sabia em detalhes quanto várias organizações lhe pagavam, mas deveria saber e lamento profundamente", disse Trudeau.

O partido conservador de oposição do Canadá pediu na sexta-feira uma investigação policial para o caso, que provocou a abertura de um inquérito do comissário canadense em conflitos de interesses e ética, Mario Dion, um funcionário independente do Parlamento.

O porta-voz do partido conservador, Michael Barrett, considerou o pedido de desculpas uma tentativa de Trudeau para que o caso "não saia do controle".

"Sabemos que Justin Trudeau só sente muito quando é pego, e esse é o motivo de seu pedido de desculpas hoje", criticou Barrett em declarações à emissora pública CBC.

Não é a primeira vez que Trudeau se vê na mira do comissário canadense em conflitos de interesses e ética. Em 2017, o primeiro-ministro foi investigado por aceitar passar as férias na ilha privada de Aga Khan, líder espiritual dos muçulmanos xiitas ismailitas. No ano passado, por tentar influenciar uma decisão judicial em um caso de corrupção da construtora SNC-Lavalin.

Em ambos os casos, o comissário Dion concluiu que Trudeau havia violado a lei sobre conflitos de interesses.


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