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Estado de Minas

Bolsonaro anuncia teste positivo para coronavírus e se mantém desafiante


postado em 07/07/2020 18:25

O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta terça-feira (7) em Brasília que testou positivo para o novo coronavírus, mas garantiu que está "perfeitamente bem", com sintomas leves, e manteve sua postura desafiante diante da pandemia.

"O resultado positivo acabou de sair", disse o presidente, de 65 anos, em entrevista a emissoras de televisão no Palácio da Alvorada, a residência presidencial, onde ele diz estar sendo tratado com hidroxicloroquina e azitromicina.

Bolsonaro relatou que começou a sentir indisposição no domingo que se agravou na segunda-feira, com "cansaço, indisposição e febre de 38 graus", e que seus médicos o recomendaram que fizesse o exame.

Desde o início da pandemia, o presidente tem minimizado a seriedade da doença e participou de vários eventos públicos sem máscara. Também criticou as medidas de isolamento social implementadas em vários estados, devido ao seu impacto econômico.

"Eu sou o presidente da República (...) Eu gosto de estar no meio do povo. Então tendo em vista esse meu contato com povo, bastante intenso nos últimos meses, eu achava até que já tivesse contraído sem ter percebido", afirmou Bolsonaro, ao comentar que o resultado não lhe surpreendeu.

"Estou bem", disse ele, dando vários passos para trás e removendo a máscara para mostrar o rosto para as câmeras. O presidente afirmou que suspendeu seus compromissos dos próximos dias e que vai trabalhar por videoconferência da residência oficial, sob os cuidados de uma equipe médica e da primeira-dama.

"A vida continua, o Brasil tem que produzir", disse o presidente, reiterando que "os efeitos colaterais" do combate ao vírus não podem ser "piores" do que a própria doença.

Nos últimos dias, Bolsonaro vetou vários artigos da lei sobre o uso de máscaras faciais em locais públicos para enfrentar a pandemia no Brasil, o segundo país em número de mortes e casos confirmados, depois dos Estados Unidos.

Na tarde do último sábado, ele publicou fotos nas redes sociais nas quais aparece com o rosto descoberto ao lado de vários ministros e do embaixador de Washington em Brasília, Todd C. Chapman, durante um almoço de comemoração ao Dia da Independência dos Estados Unidos.

A embaixada informou que Chapman e sua esposa tiveram resultado negativo para o vírus, mas também vão cumprir um período de quarentena.

De acordo com o último balanço oficial, 1,6 milhão de pessoas foram contaminadas, e 65.487 morreram de COVID-19 no Brasil, ainda que especialistas estimem que o número real de casos possa ser até dez vezes maior, e as mortes pela doença possam ser o dobro das divulgadas, em razão da falta de testes.

- "#ForçaBolsonaro" vs "#ForçaCorona" -

O Brasil não adotou uma estratégia unificada diante da pandemia e a resposta foi marcada por um confronto entre o governo federal e as autoridades regionais, além da saída de dois ministros da Saúde por divergências em relação à gestão da crise.

Um dos pontos de choque foi a adoção no Brasil de protocolos que recomendam o uso de cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19 em estágios leves, o que divide a comunidade científica e tem sido objeto de controvérsia mundial.

"Se Bolsonaro se recuperar rapidamente, ele poderá usar isso em seu benefício político", escreveu no Twitter Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas.

Além de promover a hidroxicloroquina como um método eficaz - apesar da falta de evidências científicas - "ele usará sua recuperação para reforçar seu argumento de que a pandemia não é algo tão sério", disse o especialista.

Para Stuenkel, o negação de Bolsonaro tem propósitos eleitorais: "ele deve garantir que os eleitores [em 2022] não o culpem pela crise econômica", mas os governadores e prefeitos que defendiam o isolamento social.

Em um Brasil altamente polarizado, as expectativas em relação aos resultados do primeiro teste do presidente tomaram as redes sociais com publicações contra e a favor do presidente, e as hashtags "#ForçaCorona" e "#ForçaBolsonaro" estavam entre as mais comentadas no Twitter.

Bolsonaro já havia feito três testes para detectar o coronavírus. Em maio, foi forçado pelo Supremo Tribunal a entregar o resultado, que deu negativo.

O ex-capitão do Exército afirmou em março que o vírus não o afetaria seriamente devido ao seu "histórico de atleta" e que, depois de ter sido esfaqueado em um comício eleitoral em 2018 - e passar por várias cirurgias abdominais por conta do atentado - uma "gripezinha" não iria derrubá-lo.


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