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Estado de Minas

Vírus teve mutação na Europa

Estudo mostra que variedade europeia do coronavírus é seis vezes mais infectante, mas não agrava a severidade da doença. OMS faz novo alerta


postado em 04/07/2020 04:00


Chefe de emergências da OMS, Michael Ryan pediu para que países acordem porque o problema não %u201Cdesaparece por mágica%u201D(foto: Fabrice Cottrin/AFP)
Chefe de emergências da OMS, Michael Ryan pediu para que países acordem porque o problema não %u201Cdesaparece por mágica%u201D (foto: Fabrice Cottrin/AFP)



Um estudo publicado na revista acadêmica Cell aponta que uma variedade do coronavírus concentrada inicialmente na Europa sofreu uma mutação e tornou-se a forma mais prevalente do vírus na pandemia global. Segundo a publicação, a variante chamada G614 pode apresentar uma vantagem em relação à inicial, o que permite que ela seja até seis vezes mais capaz de infectar, mas não aumenta a severidade da doença. O estudo foi elaborado por vários pesquisadores, de diferentes institutos, liderados por Bette Korber, do Laboratório Nacional Los Alamos, com o título “Tracking changes in SARS-CoV-2 Spike: evidence that D614G increases infectivity of the COVID-19 virus”.

A pandemia segue fazendo vítimas e já causou pelo menos 522.246 mortes em todo o mundo desde que a China informou oficialmente o aparecimento da doença em dezembro, de acordo com um balanço realizado pela AFP com base em fontes oficiais, até as 16hs de ontem. Desde o início da epidemia, mais de 10.922.300 pessoas contraíram a doença em 196 países ou territórios, segundo as autoridades.

Esse número de casos diagnosticados positivos reflete apenas uma parte de todas as infecções devido às políticas diferentes dos países para diagnosticar casos. Alguns testam apenas aqueles que precisam de hospitalização e em muitos países pobres a capacidade de testagem é limitada.

Desde a quinta-feira, às 16h, houve 4.553 novas mortes e 171.029 infecções em todo o mundo. Os países que registraram mais mortes são o Brasil, com 1.264 novas mortes, México (679) e Índia (379). O número de mortos nos Estados Unidos, que registrou sua primeira morte ligada ao vírus no início de fevereiro, é de 128.740. O país registrou 2.739.879 infecções. As autoridades consideram que 781.970 pessoas foram curadas.

Depois dos Estados Unidos, os países mais afetados são o Brasil, com 63.254 mortes e 1.496.858 casos; o Reino Unido com 44.131 mortes (284.276 casos); a Itália com 34.833 mortes (241.184 casos) e a França com 29.893 mortes (203.367 casos). Entre os países mais atingidos, a Bélgica tem a maior taxa de mortalidade, com 84 mortes por 100 mil habitantes, seguida pelo Reino Unido (65), Espanha (61), Itália (58) e Suécia (54). A China continental (sem contar Hong Kong e Macau) tem um total de 83.542 pessoas infectadas, das quais 4.634 morreram e 78.499 foram completamente curadas.

Ontem, desde o início da pandemia, a Europa somava 198.615 mortes (2.695.472 casos), Estados Unidos e Canadá 137.450 (2.844.905), América Latina e Caribe 121.888 (2.740.996), Ásia 36.384 (1.397.730), Oriente Médio 17.129 (798.008), África 10.647 (435.608) e Oceania 133 (9.585).

Alerta 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu ontem aos países afetados pela pandemia que “acordem” e combatam a COVID-19 porque os “números não mentem”, um pedido feito em um momento em que as infecções na América Latina pela primeira vez superam as da Europa. América Latina e Caribe, região onde a epidemia está mais ativa nas últimas semanas, com 2,7 milhões de contágios e mais de 121.000 mortes, é a segunda área do mundo com mais casos detectados da doença, de acordo com um balanço atualizado pela AFP com base em fontes oficiais.

“É hora dos países olharem para os números. Por favor, não ignore o que os números dizem”, disse Michael Ryan, chefe de emergências da saúde da OMS, em entrevista coletiva em Genebra. Embora Ryan estivesse respondendo a uma pergunta sobre o México, ele especificou que a mensagem é endereçada a “muitos países” porque o problema não “desaparece por mágica"”.

No caso do Brasil, epicentro da pandemia na região, com 1.496.858 infecções e quasemais de 63 mil mortes, Ryan ressaltou que, embora os números tenham se estabilizado, eles continuam aumentando. “Se você olhar para os números de maio, eles estavam subindo muito, muito abruptamente, os números de junho diminuíram um pouco, mas ainda estão subindo”, disse a autoridade da OMS.

Remédio 

A Comissão Europeia autorizou provisoriamente o uso do medicamento antiviral remdesivir para o tratamento de pacientes com coronavírus, o primeiro remédio autorizado para o tratamento da COVID-19 nos países do bloco continental. Na área médica, cientistas de várias partes do planeta lutam contra o tempo para tentar desenvolver uma vacina contra o coronavírus. Na Europa, onde a propagação do vírus parece controlada, os governos se apressam em anunciar as medidas de flexibilização para tentar salvar a temporada de verão, crucial para muitos países.



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