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Estado de Minas

Ativistas denunciam impedimento para protestar por morte de negro em Cuba


postado em 30/06/2020 18:26

Um grupo de ativistas cubanos e comunicadores independentes denunciaram nesta terça-feira(30) que foram impedidos de deixar suas casas para protestar contra a morte de um cidadão negro acusado de roubo, após um suposto confronto com a polícia.

"Estou em prisão domiciliar", escreveu o diretor do portal El Estornudo, Abraham Jiménez, em suas redes. Ele alegava que uma patrulha policial o impedia de sair para "cobrir a marcha pela morte de Hansel Hernández."

Vários outros ativistas também informaram que não tinham permissão para deixar suas casas e que o serviço de internet havia sido cortado.

A concentração havia sido marcada em frente ao cinema Yara, no centro de Havana.

O local estava fortemente vigiado pela polícia, segundo a AFP. Nenhum manifestante chegou.

Há uma semana, a família de Hansel Hernández, de 27 anos, denunciou nas redes sociais que ele foi "morto" pela polícia com um tiro nas costas.

Mas o Ministério do Interior informou em nota que Hernández foi pego roubando peças de ônibus em Guanabacoa, nos arredores de Havana, e para evitar ser preso, apedrejou e derrubou o policial que o perseguia.

Vendo sua vida em perigo, "o policial disparou com sua arma de controle que atingiu o sujeito (Hernández) e o matou", diz o relatório.

Setores críticos ao governo socialista vincularam o evento ao que aconteceu nos Estados Unidos no final de maio, com a morte do afro-americano George Floyd sufocado por um policial branco na cidade de Minneapolis.

O caso foi amplamente discutido em Cuba, e até o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, garantiu que Floyd não morreu, mas foi "brutalmente assassinado".

- "Ofensiva" nas redes -

Em Cuba, as autorização para manifestações são concedidas em casos muito excepcionais.

Com frequência, organizadores de atos não oficiais denunciam que são impedidos de sair de casa para protestar, como aconteceu no último dia 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

As autoridades cubanas justificam a medida alegando que essas manifestações não são legítimas, mas incentivadas por organizações dos Estados Unidos, que buscam a saída do Partido Comunista (PCC, o único) do governo.

Na segunda-feira, o presidente Miguel Díaz-Canel denunciou "uma ofensiva da subversão nas redes sociais" e acrescentou que "há uma enorme quantidade de ultraje, mentiras, especulações e exageros que devemos rejeitar e denunciar".

De Santiago de Cuba (leste), o líder do grupo opositor, União Patriótica de Cuba, José Daniel Ferrer, tentou se unir ao protesto e foi detido em sua casa, de acordo com relatos de seus amigos nas redes sociais. Ferrer esteve recentemente na prisão, acusado de agredir um de seus colaboradores, segundo o governo.

Os familiares da artista Tania Bruguera também denunciaram sua prisão.

Em seu relatório sobre a situação em Cuba no ano de 2019, a ONG Freedom House atribuiu à ilha uma pontuação de 14/100, garantindo que "Cuba é um estado comunista com um único partido que proíbe o pluralismo político e a mídia independente, além de reprimir a dissidência e restringir severamente as liberdades civis fundamentais ".

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