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Estado de Minas

Polônia dividida para segundo turno de eleição presidencial


postado em 29/06/2020 12:55

A Polônia está profundamente dividida para o segundo turno das eleições presidenciais em 12 de julho, que serão disputadas pelo chefe de Estado nacionalista e o prefeito de Varsóvia, um liberal pró-europeu.

O atual presidente Andrzej Duda, com o apoio dos conservadores nacionalistas do partido Direito e Justiça (PiS), foi o mais votado no primeiro turno no domingo.

Após apuração de 99,78% das urnas, Duda obteve 43,7% dos votos, anunciou a Comissão Eleitoral (PKW) nesta segunda-feira.

Seu rival no segundo turno, Rafal Trzaskowski, obteve 30,3%.

Duda, 48 anos, tem seu principal apoio entre os eleitores mais velhos e menos instruídos, basicamente no interior rural e nas pequenas cidades.

Em sua campanha, Duda enfatizou as conquistas sociais e os valores tradicionais católicos e nacionalistas.

Rafal Trzaskowski, que tem a mesma idade, prevaleceu nas grandes cidades e entre os jovens, com um programa a favor da democracia e da Europa. Ele também se apresenta como o candidato da mudança.

Desde domingo, os dois homens embarcaram em seus ônibus de campanha para tentar convencer aqueles que votaram nos nove candidatos eliminados no primeiro turno.

"Acho que há uma chance de o atual presidente [Andrzej Duda] vencer essas eleições no segundo turno, mas ele tem que trabalhar duro", disse à AFP Michal, um advogado de 43 anos.

Por seu lado, Urszula, bibliotecária de 60 anos, acredita que a vitória do atual chefe de Estado será "muito difícil".

Duda e Trzaskowski tentarão, em primeiro lugar, seduzir aqueles que votaram no candidato independente Rafal Holownia (13,85%) e em seu rival de extrema direita e antissistema Krzysztof Bosak (6,75%).

Kazimierz Kik, professor de ciências políticas da Universidade de Kielce (sul), disse no domingo que o atual presidente tem "maior potencial" do que seu rival para mobilizar os eleitores que ficaram em casa.

Segundo Maciej Onasz, cientista político da Universidade de Lodz, Trzaskowski tem "maior margem para convencer os eleitores de outros candidatos da oposição".

"Acho que será um jogo brutal com o medo. Os dois lados vão tentar obter uma mobilização negativa, uma mobilização contra o rival", disse, citado pelo jornal Gazeta Wyborcza.

Durante a campanha, Duda provocou polêmica ao apoiar os ataques do PiS aos direitos dos gays e valores ocidentais.

Também comparou a "ideologia LGBT" a uma nova forma de comunismo.

Esta manhã, alertou que a convivência entre um chefe de Estado liberal e um governo conservador levaria à guerra política.

"Será um grande confronto entre o governo e o presidente, o que sempre é ruim para a Polônia", disse Duda. "Será um grande bloqueio de todas as ações para derrubar o governo", acrescentou.

Os especialistas consideram, no entanto, que, para os eleitores de Holownia e Bosak, o presidente Duda é o candidato que representa "o sistema" ao qual eles se opõem e que eles podem optar por Trzaskowski.

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