A companhia aérea chileno-brasileira LATAM, a maior da América Latina, anunciou nesta quarta-feira (17) que sua filial na Argentina suspenderá as operações por tempo indeterminado, já que diante do cenário da pandemia mantê-las não parece algo viável.
"A suspensão das operações da LATAM Airlines Argentina, por tempo indeterminado, obedece as atuais condições da indústria local, agravadas pela pandemia da COVID-19, logo não se percebe a viabilidade de um projeto sustentável", indicou em comunicado a companhia, a maior da América Latina, fortemente atingida pela pandemia.
Após 15 anos de operações nesse país, a LATAM Airlines Argentina, segunda companhia local no mercado argentino, deixará de voar em 12 destinos domésticos, enquanto quatro destinos internacionais - Estados Unidos, Brasil, Chile e Peru- continuarão sendo operadas por outras filiais da LATAM.
"A Argentina sempre foi um país fundamental e continuará sendo. As outras filiais do grupo LATAM continuarão conectando passageiros desse país com a América Latina e o mundo", afirmou Roberto Alvo, CEO do Grupo LATAM Airlines.
A companhia aérea, que tem cerca de 2.000 trabalhadores e transportou 3,1 milhões de passageiros em 2019, oferecerá alternativas para os passageiros que exigem a devolução do custo da passagem de rota nacional ou a mudança de data para voar para o exterior.
- Um fechamento "inevitável" -
O governo argentino cancelou todos os voos de março a setembro devido ao coronavírus, uma decisão que afetou a empresa, que já vivia uma situação econômica delicada no país, com perdas superiores a 260 milhões de dólares nos últimos dois anos.
A companhia aérea também teve um relacionamento tortuoso com o Estado argentino, algo que se complicou ainda mais durante a pandemia, quando as autoridades ordenaram que ela anulasse sua decisão de reduzir os salários de seus trabalhadores em 50%, como a empresa fez em outros países.
O governo argentino também descartou a ideia de salvar economicamente a LATAM ou qualquer outra companhia aérea afetada pela pandemia, e se limitou a ajudar no programa de Assistência ao Trabalho e Produção (ATP), que cobre parte dos salários dos trabalhadores.
"É uma notícia lamentável, porém, inevitável. A LATAM hoje deve focar na transformação do grupo para adaptar-se à aviação após a COVID-19", afirmou Alvo.
"O grupo LATAM está muito complicado pela pandemia. Na Argentina, há o problema de que todo o tráfego aéreo foi interrompido. Por quase três meses não houve voos internacionais nem de cabotagem. Há custos fixos muito altos e não há receita. E, como uma empresa estabelecida na Argentina, não tem como obter financiamento externo, pois o mercado de capitais é fechado, nem interno, devido às dificuldades econômicas do país", explicou Héctor Rubini, professor de Economia da Universidade del Salvador da Argentina.
A LATAM foi fundada em 2012 após a fusão da LAN chinela e da TAM brasileira. Antes da pandemia, voava para 145 destinos em 26 países. Possui mais de 42 mil funcionários e operou aproximadamente 1.400 voos diários antes da crise, transportando mais de 74 milhões de passageiros anualmente.
