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Estado de Minas

China busca vacina contra o coronavírus a qualquer preço


postado em 13/06/2020 11:31

A China lidera a corrida por uma vacina contra a COVID-19 e já realiza testes em humanos, mobilizando o exército e acelerando os trâmites, mas seus laboratórios devem melhorar uma imagem manchada por inúmeros escândalos.

Pequim, que quer imunizar sua população o mais rápido possível e obter reconhecimento internacional, ajuda suas empresas fornecendo cepas de vírus ou com ajuda financeira.

Uma tática que tem dado frutos, já que das dez vacinas em fase de teste clínico (isto é, com seres humanos) no mundo, cinco são chinesas.

Entre as investigações mais avançadas estão as da Academia Militar de Ciências Médicas, que colabora com a empresa farmacêutica CanSinoBIO.

O projeto é altamente midiatizado. Liderando a investigação está o general Chen Wei, um epidemiologista de 54 anos que aparece regularmente uniformizado. E os voluntários para os ensaios clínicos já têm selos com sua efígie.

Menos de seis meses desde o surgimento da COVID-19 em Wuhan (centro), os primeiros resultados da vacina são encorajadores, de acordo com um estudo publicado na revista médica The Lancet.

Para ir mais rápido, a China autorizou que as etapas fossem aceleradas. Os laboratórios podem executar etapas pré-clínicas em paralelo, quando sempre foram realizadas uma após a outra.

Ding Sheng, diretor do Instituto Farmacêutico da prestigiada Universidade Tsinghua em Pequim, criticou esses "métodos não convencionais".

"Entendo que as pessoas estão esperando ansiosamente por uma vacina. Mas, do ponto de vista científico, não podemos nos dar ao luxo de diminuir nossos critérios, mesmo em uma emergência", disse no Diário do Povo.

As autoridades concederam autorizações de "fase 1 + fase 2" aos investigadores. Isso permite que dois estágios sejam encadeados sem validação intermediária.

- Subornos -

"A China não é a única", diz Nick Jackson, da Coalizão para a Inovação da Preparação Epidêmica (Cepi) - uma fundação internacional de pesquisa de vacinas.

"Muitas organizações em todo o mundo conduzem testes adaptados que permitem uma transição rápida dos estudos da fase 1 para a fase 2", lembra Jackson. "Neste caso, é necessário, dada a necessidade urgente de uma vacina".

A empresa farmacêutica estatal Sinopharm, que atualmente prepara duas, espera poder chegar ao mercado no final de 2020 ou no início de 2021.

O diretor-geral do Centro Chinês de Prevenção e Controle de Doenças já espera uma vacina a partir de setembro para o pessoal da saúde.

Mas, além da pesquisa, a China terá que convencer da qualidade de suas vacinas. E é que esse setor foi abalado por vários escândalos de vacinas defeituosas, que afundaram a confiança da população nas vacinas 'fabricadas na China'.

A fabricante local Changchun Changsheng teve que pagar em 2018 uma multa de 9,1 bilhões de yuans (1,2 bilhão de euros, US$ 1,35 bilhão) depois da descoberta de um processo de fabricação ilegal de vacinas contra a raiva.

A mesma empresa produziu vacinas DTP (difteria, tétano e poliomielite) defeituosas que foram administradas a mais de 200.000 crianças.

Uma empresa que atualmente trabalha com uma vacina para a COVID-19 também esteve envolvida no escândalo. O Instituto de Pesquisa de Produtos Biológicos de Wuhan (filial da Sinopharm) produziu mais de 400.000 doses de DTP "que não estavam dentro dos padrões", segundo as autoridades.

- "Reputação internacional" -

Outro problema que gangrena o setor é a corrupção. A imprensa relata regularmente condenações de autoridades locais que aceitaram suborno de laboratórios para comprar suas vacinas.

Por esse motivo, "o governo é muito cuidadoso no controle dos pedidos de autorização de vacinas", diz o professor Lung-Ji Chang, presidente do Instituto de Medicina Geno-Imune de Shenzhen (China), que também está trabalhando em uma vacina contra o novo coronavírus.

No final de 2019, uma lei entrou em vigor para impedir que doses defeituosas fossem colocadas no mercado.

Mas a imprensa relatou vários escândalos nos últimos 12 meses: vacinas falsas no hospital Hainan (sul); crianças que foram vacinadas para outra doença em Hebei (norte); Vírus da brucelose que escapa durante a fabricação de uma vacina no Instituto Veterinário de Gansu (noroeste).

"Isso não significa que a China não tenha capacidade para produzir uma vacina segura e eficaz contra a COVID-19", diz Yanzhong Huang, pesquisador do think tank Council on Foreign Relations.

O que está em jogo é enorme, já que o presidente Xi Jinping prometeu que uma futura vacina chinesa seria um "bem público global" acessível para o maior número possível, adverte.


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