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Estado de Minas

UE recorda EUA que apenas com "solidariedade mundial" pandemia será superada


postado em 30/05/2020 11:13

A União Europeia (UE) pediu neste sábado (30) ao governo dos Estados Unidos que "reconsidere" sua decisão de cortar os laços com a Organização Mundial da Saúde (OMS), pois a "solidariedade mundial e a cooperação multilateral" são as únicas maneiras de vencer a batalha contra a pandemia, que continua avançando em países como o Brasil.

"A cooperação e a solidariedade, por meio de esforços multilaterais, são os únicos meios eficazes e viáveis de vencer a batalha que o mundo trava", afirmam em um comunicado a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell.

A gestão da OMS para a pandemia é criticada pelo governo dos Estados Unidos há várias semanas. Os comentários negativos foram seguidos pela decisão de reduzir a contribuição financeira americana à organização e finalmente, na sexta-feira, Trump anunciou o fim dos laços com a agência de saúde da ONU.

"A OMS tem que seguir em condições de comandar a resposta internacional às pandemias atuais e futuras. Para isto, a participação e o apoio de todos são necessários e indispensáveis", afirmaram Von der Leyen e Borrell.

"Pedimos aos Estados Unidos que reconsiderem a decisão anunciada", pediram, antes de explicar que a UE "continua apoiando a OMS e já repassou fundos suplementares".

Desde o início da epidemia, Trump afirma que a OMS foi muito indulgente com a China. Estados Unidos, maior doador da OMS, "redistribuirá os recursos financeiros para outras necessidades de saúde pública urgentes e globais que mereça", declarou o presidente.

- Mais pobres afetados -

Washington contribuía com 15% do total da verba da OMS, que administra "o orçamento de um hospital de porte médio em um país desenvolvido", afirmou recentemente o diretor geral do organismo, Tedros Adhanom Ghebreyesus. A agência tem 7.000 funcionários no mundo.

A decisão de Trump coloca em perigo programas de saúde nos países mais pobres do mundo, afirmam especialistas.

Uma decisão "louca e inquietante", definiu Richard Horton, editor da prestigiosa revista médica britânica The Lancet.

A contribuição americana se destina essencialmente à África e Oriente Médio. Quase um terço das contribuições ajudam a financiar ações de luta contra as emergências de saúde. O restante é destinado aos programas de erradicação da poliomielite, para melhorar o acesso aos serviços de saúde e à prevenção e luta contra as epidemias.

A decisão dos Estados Unidos foi anunciada no momento em que a pandemia não dá trégua no país. Na sexta-feira foram registradas 1.225 novas mortes por coronavírus. A COVID-19 provocou mais de 102.000 vítimas fatais no território americano, mas os dados reais podem ser muito superiores.

O governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, anunciou que estuda uma flexibilização das medidas de confinamento para a semana de 8 de junho, desde que os indicadores de saúde pública permitam.

A flexibilização incluiria inicialmente apenas uma parte da economia, principalmente o setor de construção e manufatura. Nova York, com mais de 21.000 mortos, é a cidade mais afetada pelo coronavírus no mundo.

- Brasil, quinto país em número de mortos -

No total, a pandemia já matou pelo menos 364.362 pessoas em todo o mundo desde o primeiro caso, no fim de dezembro na China, de acordo com um balanço da AFP com base em fontes oficiais. Também foram registrados mais de 5,9 milhões de casos em 196 países e territórios.

O Brasil se tornou o quinto país do mundo com o maior número de mortes provocadas pelo novo coronavírus, com quase 28.000 vítimas fatais, com um balanço diário cada vez mais grave.

O Brasil registrou 1.124 mortes nas últimas 24 horas e parece que ainda não alcançou o pico da pandemia. O balanço de vítimas fatais do país é o quinto maior do mundo, atrás dos Estados Unidos (102.836), Grã-Bretanha (38.161), Itália (33.229) e França (28.714).

Os especialistas advertem que os casos de contágio, que superam 465.000 oficialmente, podem ser até 15 vezes superiores, devido à falta de testes de diagnóstico no país.

Em termos proporcionais, no entanto, os números do Brasil são menos graves. O país registra 131 mortes por milhão de habitantes, contra mais de 300 nos Estados Unidos e 580 na Espanha.

São Paulo e Rio de Janeiro são os dois estados com mais mortos e casos, mas aqueles mais afetados em relação a sua população estão nas regiões Norte e Nordeste, cujos sistemas de saúde estão à beira do colapso.

Analistas calculam que o PIB do Brasil pode registrar queda de mais de 10% este ano. O fator econômico é a principal razão do presidente Jair Bolsonaro para manifestar oposição às medidas confinamento decretadas por vários governadores e prefeitos, seguindo as recomendações da OMS e da comunidade científica internacional.

De acordo com uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada na sexta-feira, 50% dos brasileiros entrevistados avaliam negativamente a forma como Bolsonaro enfrenta a crise e apenas 27% aprovam a gestão do governo federal para a pandemia.

- "Meses de angústia" -

Na Europa prossegue a flexibilização do confinamento. Na Itália, a Torre de Pisa reabriu ao público, enquanto na capital ucraniana, Kiev, os centros comerciais e hotéis retomaram as atividades.

A França abriu os parques e jardins públicos, assim como as Galeries Lafayette de Paris, que exigirão dos clientes o uso de máscaras e a observação da distância de segurança.

Museus, cafés e restaurantes franceses devem abrir as portas na terça-feira.

"Foram meses de angústia constante, não ter o que comer ou como pagar o aluguel" explica Laura González, uma colombiana de 20 anos que mora em Paris com a família. Eles não têm documentos oficiais ou empregos permanentes e perderam toda a renda desde o início do confinamento, em meados de março.

Na área médica, a "anakinra", inicialmente destinada a doenças reumáticas, apresentou resultados "promissores" para tratar as doenças graves provocadas pela COVID-19 ao reduzir o risco de morte e a necessidade de usar respiração assistida no CTI, de acordo com um estudo francês.

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